A vida diante das tempestades!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! As provas e tribulações que a vida nos apresenta não deveriam ser vistas como punições do Criador, mas como obstáculos que causam em nós perplexidades e nos fazem sentir insegurança. Eles nos fazem parar e entrar em nós mesmos, para descobrirmos as nossas fragilidades e limites, nos quais está presente também a dura realidade da morte, que nem sempre gostamos de enfrentar como um momento de passagem, para esperarmos a ressurreição para a vida eterna. 

 

As tribulações nos dão a possibilidade de orientar novamente, e com maior determinação, o nosso caminho e aquilo que conta realmente em nossa vida de fé. Confiar em Deus e entregar-se a ele, única estrela que não nos engana na travessia do mar da vida. As tempestades, que continuamente acontecem quando percorremos o caminho da vida, ocorrem para a pessoa que tem fé, mas também na vida de cada pessoa que passa por esse mundo. Para quem tem fé, essas ocasiões podem revelar os nossos medos escondidos, mas também os projetos de salvação de Deus.

 

Uma das tempestades que mais marcara a história da humanidade é aquela da paixão e morte de Jesus. Os seus discípulos, desconcertados, pensaram que talvez todo o seu agir e as suas palavras teriam sido perdidas ou dispersas. Mas a morte traspassou o seu coração, fazendo jorrar aquele seu amor infinito por nós, tendo presente que através do seu sangue ele nos resgatou. 

 

Nos passos da vida, quando as coisas vão bem, dificilmente a nossa fé é colocada à prova. Mas quando as coisas não acontecem de forma rotineira e serena, nos assustamos, podemos ficar desorientados e muitas vezes até entrar em crise em relação à fé. Começamos até a duvidar do amor do Senhor Jesus e da presença de Deus na nossa vida. Quando as provações da vida ameaçam a nossa existência, as nossas seguranças pessoais podem nos fazer vacilar, inclusive a nossa fé. Mesmo naqueles que manifestam uma fé firme, no cotidiano da vida, às vezes podem ter o coração tomado por aquela sensação de solidão e abandono, diante das tempestades da vida, que ameaçam afundar o barco da existência, da família, do trabalho, dos negócios, etc. 

 

Tomados pelas nossas seguranças, na hora do desespero, nem sempre lembramos de recorrer ao “Mestre” Jesus, pedindo com fé, humildade e confiança, para que ele nos ajude na travessia da tempestade que está atingindo a nossa vida. O nosso “Mestre e Senhor” não está distraído em relação àquilo que está acontecendo conosco, mas é a nossa fé, que envolvida pelas sombras da dúvida, pode ter dificuldades de crer na sua presença, quando o barco da nossa vida é sacudido pelas provações e tempestades que nos fazem tremer e temer pela vida.

Bispo Diocesano de Caxias do Sul