Caminhemos na esperança

Mais alguns dias e nós estaremos celebrando o Natal. Podemos vivê-lo como um acontecimento que vem e vai a cada final de ano ou como um momento de reflexão sobre a realidade da nossa vida; o nosso modo de amar, de ser solidário, de ter compaixão por aqueles que sofrem. E, ao mesmo tempo, rever a forma como nos relacionamos em família, na comunidade e com os amigos.

 

A Sagrada Escritura nos relata que a salvação é um dom de Deus. E Jesus, dom de Deus, é a salvação do mundo, o Messias esperado e prometido por Deus, proclamado pelos profetas e esperado através das gerações. Mas penso que muitos de nós, observando a realidade que está ao nosso redor, diante das conseqüências da pandemia do COVID19, pode ser tentado a perguntar: Se Jesus, o Salvador do mundo, veio até nós, por que ainda existe a dor, o sofrimento, a morte? Por que as desgraças que afligem milhões de pessoas, as injustiças que tiram o pedaço de pão da boca do pobre e faminto? Por que as guerras que destroem vidas e alimentam o ódio entre os povos? Por que o egoísmo parece ser mais forte do que nós?

 

Não podemos perder a esperança de que Deus intervém e não nos deixa sem respostas. Deus sempre se comunica conosco, e podemos dizer que, às vezes, de modo estranho. Mesmo quando usa a linguagem humana, pode se manifestar através de sinais não previstos. Jesus, o Messias esperado, que vem até nós em forma de criança, é um desses sinais não previstos. Desconcertou os poderosos e enalteceu os humildes. Mas tanto no passado como no presente, a fé é o elemento principal para percebermos e acolhermos os sinais da vinda de Jesus.

 

Na espera do Senhor que vem, são apresentadas nas leituras Bíblicas as figuras de João Batista, de Maria e de José como modelos de fé. Porque souberam confiar em Deus e acolheram, nos acontecimentos da vida, a voz de Deus e a sua vontade. Porque Deus vem até nós através da colaboração humana. Todos nós somos convidados a esperar Jesus com Maria e como Maria. Ela o esperou com amor de mãe, de cada mãe que espera a chegada de seu filho.

Bispo Diocesano de Caxias do Sul