O prazer Espiritual de ser Povo de Deus e seus desafios: À luz do doc. “A alegria do Evangelho”.

A Palavra de Deus convida-nos também a reconhecer que somos povo: «Vós que outrora não éreis um povo, agora sois povo de Deus» (1 Pd 2, 10). Para ser evangelizadores com espírito é preciso também desenvolver o prazer espiritual de estar próximo da vida das pessoas, até chegar a descobrir que isto se torna fonte duma alegria superior. A missão é uma paixão por Jesus, e simultaneamente uma paixão pelo seu povo. Quando paramos diante de Jesus crucificado, reconhecemos todo o seu amor que nos dignifica e sustenta, mas lá também, se não formos cegos, começamos a perceber que este olhar de Jesus se alonga e dirige, cheio de afeto e ardor, a todo o seu povo.

Poderemos nos indagar: Encontramos muitas coisas erradas na comunidade, principalmente no que tange a relacionamentos. É verdade. O Chamado a servir a Igreja e, nossas paróquias não é um convite para ingressar ao céu, mas para percorremos o caminho que nós leva para lá, o tão almejado estado de santidade não é um produto pronto, que encontramos nas prateleiras de um supermercado. Tampouco, uma medalha que recebemos ao ingressar na vida cristã. Caminhar com a comunidade Igreja é atravessar muitos de nossos desertos pessoais e, também, os comunitários. Segundo Papa Francisco:

271. É verdade que, na nossa relação com o mundo, somos convidados a dar razão da nossa esperança, mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam. A advertência é muito clara: fazei-o «com mansidão e respeito» (1 Pd 3, 16) e «tanto quanto for possível e de vós dependa, vivei em paz com todos os homens» (Rm 12, 18). E somos incentivados também a vencer «o mal com o bem» (Rm 12, 21), sem nos cansarmos de «fazer o bem» (Gal 6, 9)

Levamos, para o ambiente igreja, dons, carismas e talentos. Levamos, também, todas as nossas incoerências, imaturidades, falhas de caráter, vícios, nossos pecados pessoais e os sociais. Não apertamos um botão, ao darmos nosso sim a Deus, e nossas amarguras, traumas, complexos, angústias desaparecem. A verdadeira conversão é uma mudança de rumo na vida, e isso precisa de tempo. Aproximamo-nos de Deus na mesma medida em que nos aproximamos uns dos outros. Os dramas de relacionamento são necessários e funcionam como lapidários para aprimorarmos nossa existência. Não somos chamados por Deus porque somos Bons, mas para que nos tornemos seres humanos melhores. Não somos escolhidos por Ele por sermos perfeitos, mas, porque Ele é perfeito. Seu amor não se deixa vencer em misericórdia e só a misericórdiade Deus é capaz de regenerar os danos que o pecado faz em nossas vidas e na sociedade. Ele enxerga em nós o que ainda não sabemos de nós.Se Deus nos chama é porque encontrou em nossos corações um patrimônio de possibilidades, encontrou o amor. Re- afirma o papa:

265 . Às vezes perdemos o entusiasmo pela missão, porque esquecemos que o Evangelho dá resposta às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos fomos criados para aquilo que o Evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno.

O entusiasmo na evangelização funda-se nesta convicção. Temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir. É uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustentá-lo e elevá-lo. É a verdade que não passa de moda, porque é capaz de penetrar onde nada mais pode chegar. A nossa tristeza infinita só se cura com um amor infinito.

Vejamos um exemplo bíblico: quando Jesus chamou Pedro para ser a pedra de sustento de Sua Igreja, não fez porque Pedro era perfeito. Muito pelo contrário. Pedro o negou três vezes, mostrou-se impulsivo e impaciente em muitos momentos, tinha dificuldade em relacionar-se.  Esclarece Francisco:

270. Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros.

Relembramos a parábola do Bom Samaritano...  “Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?” (Lucas 10. 29).

A atitude de acolhida, de bondade e de misericórdia desse samaritano, mostra que é isso que realmente agrada a Deus, um coração verdadeiro que demonstra atitudes de amor ao próximo.O bom samaritano doou-se completamente ao homem que necessitava, empregando cuidado, tempo e até dinheiro. Essa é a atitude que Jesus quer ver. Em outras palavras, Jesus quer ver obras decorrentes da fé e não uma fé sem obras .

​Concluímos esta breve reflexão com as palavras de nosso querido Papa: 

274. Na cruz, Jesus Cristo deu o seu sangue precioso por essa pessoa. Independentemente da aparência, cada um é imensamente sagrado e merece o nosso afeto e a nossa dedicação. Por isso, se consigo ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida. É maravilhoso ser povo fiel de Deus. E ganhamos plenitude, quando derrubamos os muros e o coração se enche de rostos e de nomes!

PARA REFLETIR:

1. Qual a compreensão e seu significado do o apelo que o Papa nos faz: “uma igreja em saída”. 

2. Como cristão atuante na comunidade quais são os obstáculos que nos impedem de criar um ambiente favorável na convivência fraterna. Por quê?