Paternidade e responsabilidade!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! No segundo domingo do mês de agosto, Mês Vocacional, recordamos e celebramos o Dia dos Pais. Creio que todos nós temos recordações da convivência com os nossos pais, e das correções que nos ajudaram na formação do caráter, da importância do trabalho e da participação na comunidade, além da solidariedade e do cultivo da vida de fé. Por tudo que recebemos de nossos pais, pessoas muitas vezes simples e com pouca instrução, é justo que saibamos manifestar gratidão àqueles que, de forma muitas vezes heróica, conseguiram, pelo trabalho árduo, oferecer oportunidades aos filhos, principalmente no campo da educação, que eles nunca tiveram.

 

A presença ou a ausência do pai pode marcar de forma positiva ou negativa a realidade familiar e a vida pessoal de cada um de nós. O nosso amado Papa Francisco, em uma das suas catequeses sobre a família, nos recorda que a palavra “pai”, “mais do que qualquer outra, é muito querida a nós cristãos, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a chamar Deus: “pai”. Na vida de Jesus, a presença do pai, tinha um lugar especial, de proximidade e de comunhão. E ele manifestava isso, no modo de se dirigir a Deus.

 

Mas o Papa Francisco também nos recorda que embora a palavra “pai” seja universal e conhecida por todos, em alguns lugares, principalmente “na cultura ocidental, a figura do pai, pode estar passando por um novo significado, devido às mudanças que estão acontecendo na sociedade. E nessas mudanças, a figura do pai pode estar simbolicamente ausente, dissipada ou ser removida.” Isso pode acontecer não pela sua presença, às vezes marcada por certo “autoritarismo”, ou pela sua ausência e falta de ação em relação à sua responsabilidade e missão do ser “pai”. Mas por estar muitas vezes tão “concentrado em si mesmo, no próprio trabalho e às vezes nas próprias realizações individuais a ponto de esquecer a família. Os jovens e as crianças podem sentir-se órfãos na família, porque os pais muitas vezes estão ausentes fisicamente da casa, mas, sobretudo, porque quando estão presentes não se comportam como pais. Não dialogam com os filhos, não cumprem o seu papel educativo, não dão aos filhos, com seu exemplo acompanhado de palavras, aqueles princípios, valores e regras de vida de que precisam, como precisam de pão. Às vezes, parece que os pais não sabem bem qual posto ocupar na família e como educar os filhos, preparando-os para enfrentarem as realidades da vida.” 

 

Creio que neste Mês Vocacional, todos nós podemos, à luz da Palavra de Deus, refletir sobre a nossa vocação e missão no mundo. Pais e filhos precisam escutar novamente as promessas que Jesus fez aos discípulos, nos recorda o Papa Francisco: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). É Ele, de fato, o Caminho a percorrer, o Mestre a escutar, a Esperança de que o mundo pode mudar e que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos. Parabéns a todos os pais, pelo vosso dia.

Bispo Diocesano de Caxias do Sul