Solidariedade presbiteral: Síntese do assunto central da assembleia do clero - 11/12/2017 - Parte 1

O presbítero é chamado para estar a serviço do povo de Deus, num presbitério, com o Sr. Bispo, sinal de unidade e garantia da sucessão apostólica. Esse serviço não se realiza no “vazio”, mas numa diocese que tem um rosto e um jeito de ser, ou seja, o rosto e o jeito de ser da parcela do Povo de Deus que a compõe. Um rosto e o jeito, o modo de viver e a cultura do povo, aqui, nessa região. Num primeiro momento, os imigrantes que ocuparam a mata bravia, superaram o isolamento e a solidão e sentiram-se convocados pela força da fé. Depois de ocupadas as glebas, em mutirão, construíram capela toscas, muitas vezes com tábuas rachadas, aí se encontravam para a oração e para a convivência social comunitária. Construíram escolas e a pessoa mais capacitada, a “maestra”,  iniciava as crianças no mundo do saber. Mais tarde, vieram migrantes de outras etnias e culturas... É o “caldo-cultural” que moldura nosso rosto e o nosso jeito de ser Igreja. A fé, que os animava, foi a força aglutinadora e a Palavra de Deus, refletida em sua preces, foi a força animadora.

 

Esse ambiente de fé e trabalho construiu a diocese de Caxias do Sul. Pela tradição sagrada, que herdamos de nossos antepassados, temos a preocupação constante no que diz respeito à vida do povo. Aí as preocupações de ordem pastoral: a vida e organização comunitária das capelas; o atendimento religioso; a preocupação com a saúde, o surgimento dos hospitais paroquiais; as escolas paroquiais, dirigidas por religiosos e religiosas, os educadores da primeira hora; a orientação para  o trabalho e, com seu crescimento, chegou ao associativismo e à organização das cooperativas...    

 

Essa preocupação, também diz respeito à vida e ao ministério dos presbíteros e se manifestou de diversas formas e encaminhamentos ao longo da história da diocese:  acompanhá-los em suas práticas pastorais; proporcionar dias de estudo – formação permanente –  cursos de especialização; estar presente nos momentos de lazer; dar assistência na área da saúde; e estar presente na fase terminal da vida. Se tudo isso está acontecendo, não o é por acaso.    

 

A preocupação, que motivou toda essa busca e todo o trabalho, foi a de crescer na consciência de presbitério – os presbíteros em comunhão com o Sr. Bispo, que é sinal de unidade, para viver intensamente a sucessão apostólica, estando inteira e livremente a serviço do povo de Deus. Outra preocupação presente foi a de construir, em bases sólidas, a fraternidade presbiteral:  viver concretamente o mandamento do amor: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou aí no meio deles” ( Mt.18,20).

 

Houve um trabalho constante, ao longo da história da diocese. Houveram pessoas que se reuniram, rezaram, estudaram, tomaram pequenas iniciativas... Houveram Assembleias, onde a reflexão e o estudo de grupos foi apresentado, para a partilha de todos e,depois, a tomada das devidas decisões,dando os  passos necessários para realizar os encaminhamentos.

 

Um momento privilegiado e  importante foi quando se deu a criação e organização da Sociedade Cultural e Assistencial São João Vianney, nos idos de 1958. Aí teve destaque a iniciativa e atuação dos Padres Ernesto  Brandalise, Tranqüilo Mugnol e Ângelo Tronca. Foi elaborada uma “minuta dos estatutos”, repassada a todas as regiões de pastoral, para o estudo, debate, correções e acréscimos... Tudo isso foi levado para a Assembléia proceder a aprovação e a constituição da Sociedade.

 

O Livro de Atas registra todos os atendimentos e os gastos realizados, em favor dos presbíteros. Com “o andar da carroça”, viu-se que o atendimento da saúde era muito oneroso e tendia a superar as contribuições dos associados. No Brasil, por iniciativa de presbíteros do Nordeste, foi criado o IPREC – Instituto de Previdência do Clero – e os presbíteros foram consultados se deveriam aderir. Houve a possibilidade de associação ao IPREC ou a inscrição ao INSS. Anos depois, com o crescimento de credibilidade do INSS , a Previdência Social – aposentadoria e assistência à saúde – os presbíteros se associaram ao INSS. Adiante veremos as medidas tomadas e os encaminhamentos devidos. Em todas as reuniões do Conselho Presbiteral, um assunto permanente da pauta é a Pastoral Presbiteral, onde são apresentadas e estudadas situações concretas de presbíteros que precisam de atenção ou encaminhamentos, para a questão da saúde ou de atendimento particular. Seguindo a orientação da CNBB e do Regional Sul 3, foi organizada a pastoral presbiteral. Nesse encaminhamento teve atuação  grande o P. Mário B. Pedrotti, na condição de representante da diocese.

 

Esse breve apanhado, que vai ser apresentado, quer ser a memória e o testemunho do que foi feito, para que os presbíteros de Caxias tivessem meios de viver concretamente a fraternidade presbiteral.


SOCIEDADE  CULTURAL  E  ASSISTENCIAL  SÃO  JOÃO  VIANNEY
Fundação – Organização - Finalidade

 

No Livro de Atas N. 1 temos: Apontamentos históricos da S.C.A.São João Vianney:

 

“Por ocasião do retiro anual do clero secular da diocese de Caxias, realizado de 15 a 19 de dezembro de 1958, no Seminário Diocesano N. Sra. Aparecida, num dos três últimos dias, que foram destinados a “Estudos”, o Revmo. P. Ernesto Brandalilse, mui digno Cura da Sé, expôs as razões de conveniências e as bases de uma “Caixa de Assistência ao Clero”, assunto outras vezes ventilado por sugestão de S. Revma.,ainda quando no governo da diocese, o extinto Dom José Barea. Amplamente discutida a questão, com parte ativa de todos os sacerdotes e pelo Sr. Bispo, Dom Benedito Zorzi, recebeu aprovação geral.

De imediato procedeu-se, em escrutínio secreto, a eleição da diretoria, sugerindo-se que, por razões óbvias, fossem preferidos sacerdotes residentes na sede episcopal. Feita a apuração, verificou-se o seguinte resultado: para presidente – P. Ernesto Brandalise, 40 votos; P. Eugênio Giordani, 12 votos; P. Orestes Valeta, 6 votos; outros menos votados; para secretário – P. Plínio Bartelle, 17 votos; P. Ângelo Tronca, 12 votos; P. Ernesto Brandalise 10 votos; outros menos votados; para tesoureiro – P. Tranqüilo Mugnol, 13 votos; P. Alberto Lamonatto, 10 votos; P. Orestes Valetta, 9 votos; outros menos votados.

Desde logo surgiu a questão das relações entre a “Caixa” e a “autoridade diocesana”. Em meio ao debate o Sr. Bispo atalhou e, lidos os nomes dos mais votados para a constituição da        Iª.  diretoria, declarou: “Está eleita e aprovada a diretoria incumbida de redigir os estatutos”.

 

Durante o Primeiro Sínodo Diocesano, efetuado de 7 a 8 de setembro de 1959, na cidade episcopal,  O Sr. Bispo, que recebera os Estatutos datilografados, os entregou a uma comissão integrada pelos sacerdotes Adolfo Fedrizzi, Adelino Baumgaertner e Ricieri Delai, afim de serem apreciados. Devolvidos que foram sem resultados práticos, o presidente os enviou aos vigários forâneos, para serem discutidos nas conferências mensais, o que foi igualmente feito na conferência de Caxias do Sul, em presença dos Srs. Bispos Diocesano e Auxiliar. Nessa oportunidade o presidente frisou quanto o Sr. Bispo devia participar desta elaboração, visto que certos artigos necessitavam da palavra esclarecedora e definitiva do mesmo. Recebidas as sugestões das diversas foranias, a diretoria incluiu tudo o que lhe pareceu exeqüível e entregou novamente os estatutos ao Sr. Bispo, notificando-o das alterações havidas, principalmente com referência às contribuições, que sofreram aumento de Cr$ 1.000,00 para Cr $ 1.200,00 e de Cr $ 500 para Cr$ 625,00.

 

Respondeu o Sr. Bispo que nada tinha a opor e que mandaria publicar os estatutos no Sínodo. O que realmente se publicou no Livro do Sínodo, à página 84, apêndice II, sob o título: “Caixa de Assistência ao Clero – Regulamento”, foram esses os princípios que, puseram a “Caixa” em organização, às portas do fracasso. A diretoria, exceto o tesoureiro, que não pôde comparecer, após encontro marcado com o Sr. Bispo, acomodou os estatutos ao regulamento, merecendo de imediato a aprovação do mesmo. Dispunha-se anteriormente que só usufruiriam benefícios os sacerdotes que pagassem as contribuições e que a Sociedade seria independente da autoridade eclesiástica. O Sr Bispo estabeleceu que as contribuições seriam espontâneas, proporcionando a Sociedade assistência imediata a todos, além de não poder a organização ser independente do Ordinário, por ser a única autoridade, que poderia estabelecer auxílios das paróquias e capelanias.

 

Impressos os estatutos com a denominação definitiva de “Sociedade Cultural e Assistencial São João Vianney”, foram remetidos a todos os sacerdotes com uma circular do Sr. Bispo,  de 1960, e uma da Diretoria. Ambas apelando no sentido de que fossem enviadas as contribuições “espontâneas”. Embora se pretendesse registrar oficialmente os referidos estatutos, deu-se tempo ao tempo; para possíveis alterações. A remessa deles ao clero foi feita a 15 de janeiro de 1960.

 

Merece observação a Iª. circular, expedida pela sociedade a 18 de dezembro de 1959 e assinada pelo secretário P. Plínio Bartelle. Está ela vazada em termos de obrigatoriedade das contribuições, porque era o pensar daquela data. A alteração de critério foi posterior.

 

Carta Circular:

 

Atualmente está sendo confeccionado o fichário da Tesouraria e estão sendo recebidas as contribuições. Desta forma, a “Sociedade Cultural e Assistencial São João Vianney, com a graça de Deus, é realidade confortadora, de mãos estendidas para dar, desde o dia primeiro de janeiro de 1960, porque as mesmas mãos espera receber.                            

 

Caxias do Sul, 19 de janeiro de 1960. 

 

Ass.: P. Plínio Bartelle – Secretário; P. Tranqüilo Mugnol – Tesoureiro; P. Ernesto Brandalise

 

Já na Ata N. 1 – de 29 de abril de 1960:


“Foram destinados valores diversos a cinco associados, que tiveram atendimento à saúde. De início sentiu-se dificuldade em acertar as contribuições, que deviam ser feitas pessoalmente, pelos presbíteros e os encaminhamentos de assistência. Quando se tem o direito de receber é mais urgente que o dever de contribuir. Os gastos foram elevados e a diretoria conduziu a reflexão e a ajuda amparada pelos estatutos.

 

Aos 11 de julho de 1962, por ocasião do retiro, houve uma alteração dos estatutos,  art. 10  § 6., estabelecendo o prazo, para o pagamento das anuidades, até 31 de dezembro, depois haveria um acréscimo, nas anuidades vencidas”.

 

IPREC – INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DO CLERO – Ata 20: 

 

Na assembleia realizada aos 22 de junho de 1977, um dos assuntos em pauta foi o de se decidir sobre a continuidade da Sociedade, nos moldes atuais, ou ver a possibilidade de se filiar ao IPREC. Os associados, na sua maioria, mostraram-se reservados e até contrários à filiação ao IPREC, pois nele, a assistência à saúde é incipiente e seus rumos e eficiência relativamente incertos. Da parte do IPREC haveria a proposta de receber, como associados, inclusive os sacerdotes cuja idade tivesse ultrapassado o limite estabelecido pelos estatutos, caso os associados nele ingressassem globalmente. Posta a alternativa em votação, a vontade da maioria decidiu-se pela continuidade da Sociedade Cultural e Assistencial São João Vianney, na forma dos atuais estatutos. Trinta e dois manifestaram-se pela continuidade. Dezessete pela filiação ao IPREC. Quatro votaram em branco e sete abstiveram-se de votar. Decidida a continuidade, a assembleia geral elevou a anuidade para dois salários mínimos, pagáveis em duas partes iguais, nos meses de julho e de dezembro. Foi também instituída a pensão por velhice, cuja regulamentação dependerá de ulteriores estudos. Com base no salário mínimo, vigente na sede episcopal de Caxias do Sul, os associados informados que as taxas pagáveis em julho e dezembro serão de NCR$ 95,63 (Noventa e cinco cruzeiros novos e sessenta e três centavos). 

 

Ass: P. Aldo Migot – Secretário e P. Lúcio Baumgaertner – Presidente

 

ASSEMBLÉIA  DIOCESANA  DE  PRESBÍTERO                         

Garibaldi – 18 a 20 de agosto de 1976


Essa assembléia foi o resultado de todo uma intensa preparação, realizado nas regiões de pastoral, com a participação de todos os presbíteros, orientados por um roteiro de estudo e reflexão, coleta de sugestões, o que culminou nas decisões e encaminhamentos: o resultado da assembléia. Para que a memória desse evento – tão importante para a vida do presbitério, como prestador de serviço, e na vida do povo de Deus – não se perca, vamos registrar a convocação, a preparação, a realização e os encaminhamentos:
                          

PREPARAÇÃO REMOTA

 

A assembleia foi uma caminhada e na caminhada procuramos nos situar, a partir das perguntas:  * Por que estamos aqui?  *   Para onde vamos?  *  Quais os motivos de nossa opção?
Encontramos momentos em que deveríamos escolher, e toda a escolha significa sacrificar algo. Sacrificamos um bem para ficar com outro que, no momento nos parecia melhor, ou melhor, correspondia ao nosso objetivo.

 

1 –  A IDEIA DA ASSEMBLÉIA DO CLERO

 

No segundo semestre de 1974, foi realizada uma assembleia administrativa do clero, para resolver uma série de problemas que nos preocupavam naquele momento. Foram convocados os presbíteros. A convocação foi em cima da hora. Surpreendeu a todos o comparecimento quase maciço do clero de Caxias do Sul. Ao analisar o resultado dessa assembleia, surgiu a possibilidade de uma reunião dos presbíteros para resolver problemas, estudar, decidir e juntos executar... O assunto proposto e estudado no Conselho Diocesano de Presbítero foi: a linha pastoral da diocese.

 

Motivos: * Importância da opção pastoral da diocese; * Insistência nas comunidades de base; * Educação ao espírito comunitário... o que é isso?

 

Alguns presbíteros se sentiam marginalizados; outros se sentiam inseguros diante da opção e de suas exigências; outros se perguntavam: onde nos levará, a longo prazo, essa opção e essa linha de ação?
Numa primeira consulta às regiões de pastoral (foranias), sobre os temas a serem tratados provocou uma mudança de temática: A assembleia deverá centralizar o tema: “A pessoa do presbítero e os problema que enfrenta no ministério”. A mudança do tema ocasionou uma mudança de datas, que foi fixada para os dias de 18 a 20 de agosto de 1976.

 

2. –  PREPARAÇÃO DA ASSEMBLÉIA.

 

 

A partir das sugestões levantadas nas regiões de pastoral, o Conselho de Presbíteros preparou um subsídio para estudo nas diversas regiões pastorais, com três aspectos:

 

 

O PRESBÍTERO como homem – como homem de fé – em Igreja – em ação. Cada um desses aspectos sob o seguinte prisma: *situação; * causas; * conseqüências, para daí buscar soluções em vista de uma superação. Cada região fez três ou quatro reuniões e enviou um relatório à comissão de preparação.

 

Em tudo, se procurou a fidelidade à nossa realidade e se teve a preocupação de ir ao cerne do problema, buscando a fonte de nossa segurança e a alegria que nos vem duma ação em Igreja.
O Conselho dos Presbíteros acompanhou o desenrolar das reuniões, convencido de que, o mais importante da assembléia, eram justamente essas reuniões preparatórias, pelo fato de permitirem um tratamento mais espontâneo dos diversos aspectos dos problemas e por darem oportunidade a um maior conhecimento e entrosamento dos presbíteros, nas diversas regiões.

 

 

3. – CONVOCAÇÃO: - Carta dos Srs. Bispos:

 

Estimado presbítero:

 

A consciência de que na construção da Igreja cabe ao presbitério uma grande e decisiva missão torna viva em nós a preocupação de sermos aptos a aproveitar as muitas oportunidades que o tempo presente nos oferece, bem como de superar os desafios que também ele nos apresenta.

 

Os maiores ideais, contudo, somente tornarão realidade, quando alguém estiver disposto a, por eles, dar sua vida. E a generosidade de muitos somente encontrará o caminho de concretizar sua vitalidade, se houver quem coordene, anime, presida o trabalho comum. Trabalho que exige a união dos presbíteros entre si como sinal para que o mundo creia, como fonte de alegria e esperança e como garantia de vitória.

 

Por isso, entre outras iniciativas, começamos a caminhada que nos conduzirá à assembléia diocesana dos presbíteros. Assim, pela presente, vimos convocá-lo para participar desse tão importante momento diocesano, no qual a vivência fraterna, a troca de experiências e as resoluções a serem tomadas nos ajudarão a formar um presbitério unido e, por isso, pronto para o cumprimento da missão que o Senhor nos confia.

 

A assembleia diocesana de Presbíteros realizar-se-á nos dias 18,19 e 20 de agosto, no Hotel Mosteiro São José, em Garibaldi, com início às 8,30 horas do primeiro dia.

 

Enviando nossa saudação, aguardamos na oração o momento do encontro de todo o nosso Presbitério.

 

Dom Benedito Zorzi  Bispo Diocesano  /  Dom Paulo Moretto Bispo Coadjutor

 

 4. – COMUNICADO AOS CRISTÃOS DA DIOCESE:    

Caxias 18 de julho de 1976
Aos Irmãos da Comunidade e_____________________    

 

Todos sabeis o quanto é importante o trabalho do padre numa comunidade. Mas é muito importante também que o padre se prepare continuamente para sempre melhor servir e para fazer de sua vida um exemplo vivo do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Por outro lado, a comunidade também é responsável pelo padre. Por isso deve ajudá-lo, deve conhecer e valorizar o esforço que ele faz para ser bom e para estar a serviço de todos, cumprindo a missão que o Senhor lhe confiou.

 

Nos próximos dias 18, 19 e 20 de agosto vai ser realizado, em Garibaldi, um encontro de todos os padres da diocese. Esse encontro é fruto de muitas reuniões já feitas e de muito caminho já andado. Os padres sabem que é juntos, buscando uma união sempre maior, que se encontra o melhor caminho. O caminho que dá força e segurança. Assim, o encontro de agosto terá também a finalidade de preparar melhor o padre para melhor servir sua comunidade. Por isso, essa notícia deve dar à comunidade cristã uma grande alegria. A alegria de saber do esforço que os seus padres estão fazendo, em se adaptar às exigências do nosso tempo,  para serem sempre mais fieis ao Evangelho, e assim, poderem ser pessoas que sabem responder às necessidades todas.

 

Ao mesmo tempo, que comunicamos a notícia desse encontro, pedimos a todos que rezem ao  Senhor e também ofereçam sacrifícios para o bom êxito da assembleia dos padres da diocese. De modo especial, invoquem a proteção da virgem Maria, daquela que esteve junto dos primeiros Apóstolos, quando Jesus partiu e eles continuaram a levar ao mundo ao Evangelho.

 

Com a nossa saudação, invocamos sobre vós toda a bênção, especialmente a bênção de terdes sempre sacerdotes santos no caminho de vossa vida.                

 

Dom Benedito Zorzi  Bispo Diocesano    Dom Paulo Moretto / Bispo Coadjutor

 

5 – SÍNTESE DOS RELATÓRIOS DAS REUNIÕES NAS REGIÕES DE PASTORAL –  

CARTA DE APRESENTAÇÃO:
 

Caxias do Sul, 02 de agosto de 1967

 

Estimado Presbítero:

Estamos lhe enviando a síntese dos estudos da preparação da assembleia diocesana de presbíteros feitos nas regiões de pastoral. Essa síntese resume, de forma integrada, os registros que constam nos relatórios que foram enviados à comissão preparatória. Sua finalidade é possibilitar a todos os presbíteros, de algum modo, participarem do que foi realizado e terem em mãos um subsídio de preparação final da assembleia.    

 

Por isso, a Comissão Preparatória sugere que este subsídio seja estudado e meditado, tanto em particular, quanto em pequenos grupos e, se possível, até em nível de região.
Com mais este passo, temos esperança que o caminho da assembleia nos oportunizará novos passos a percorrer juntos.        Unidos no Senhor.    Dom Paulo Moretto / Bispo Coadjutor

 

6 – SUSÍDIO PREPARATÓRIO  –  SÍNTESE ELABORADA PELA COMISSÃO:

1) – INSERÇÃO DO PRESBÍTERO NO MUNDO:
a) – Situação:  No mundo há abertura para valores evangélicos. No entanto, a palavra e a atuação dos presbíteros são pouco acolhidas, ou pouco transformadoras. Com isso, os presbíteros sentem-se diminuídos no exercício de seu ministério.
b) – Causas:  O processo de mudança contínua do mundo cria valores novos, situações novas e novos desafios que obrigam os presbíteros a descobrir, constantemente, novos caminhos para não serem superados no cumprimento de sua missão.
c) – Consequências: Tendo o presbítero a missão de fazer crescer os valores evangélicos e libertar os homens dos contravalores, ele deve manter-se atualizado, aprofundando seus conhecimentos e ajustando-se às novas situações que vão surgindo. Deve também revisar seu equipamento de comunicação para não comprometer o sucesso de sua missão.
d) – Perspectivas: *Unir-se num esforço individual e conjunto no sentido de pregar ao mundo os valores de que necessita; * Conhecer o mundo e seus valores para evangelizar de dentro; * Ter espírito crítico e educar para ele; * Criar condições para que os presbíteros e o povo conheçam as características, as possibilidades e as limitações do mundo e do homem de hoje.

 

2) – INTEGRAÇÃO DO PRESBÍTERO NA ESTRUTURA ECLESIÁSTICA:
a) – Situação:  Os presbíteros, em geral, não se sentem empolgados por uma causa comum, mas meros funcionários de uma estrutura eclesiástica, muito burocrática, com indecisões e protelações sobre problemas relevantes, com administração financeira discordante, com mudanças pouco pensadas, sem atendimento aos pendores pessoais, sem unificação de atividades, ocasionando uma pastoral individualista, fracionada e provocadora de rupturas no presbitério diocesano.
b) – Causas:  Formação disciplinar entendida diferente, desconhecimento dos limites do pluralismo na unidade;  desnível entre planejadores e executores; pouco contato do Sr Bispo com o presbitério; prudência exagerada e preconceitos.
c) – Consequências:  A criação de clima de confiança mútua e de corresponsabilidade entre bispos e presbíteros, entre presbíteros e presbíteros é pressuposto indispensável de qual que plano de pastoral e da integração dos presbíteros na estrutura eclesiástica.
d) – Perspectivas:  * Fortalecer no presbitério a corresponsabilidade que criará um vigoroso diálogo e um ideal comum, fazendo do presbítero um homem motivado, aberto e feliz; * Fazer com que os responsáveis pelos diversos setores da estrutura diocesana sejam corajosos para enfrentar as situações difíceis e para resolver problemas crônicos; * O esforço de todas as regiões de pastoral em tratar os assuntos propostos na preparação da assembléia, a liberdade e homogeneidade verificadas, a disposição geral de sanar erros, são altamente promissoras.


3) – REALIZAÇÃO PESSOAL DO PRESBÍTERO:
a) – Situação: Profissionalmente, há presbíteros que se sentem despreparados, para os múltiplos e urgentes desafios do momento. Outros não têm tempo para descansar, estudar, rezar. E outros, que se ocupam em atividades, não especificamente pastorais. Afetivamente, em grau maior ou menor, permanente ou esporadicamente, todos experimentam certa solidão, outros, angústia, e outros, marginalização, frustração e incompreensão.
b) – Causas:  Profissionalmente o, momento exige a inserção no mundo e isso cria situações e estados conflitantes. Afetivamente, a questão é complexa, porquanto, está na dependência do temperamento, oportunidades, dotes, incompreensões, insucessos, idade, inaceitação de si, críticas e do próprio estado sacerdotal, além da vida social moderna, muito mecanizada, que dificulta maior convivência afetiva.
c) – Consequências: Embora certas limitações sejam inerentes à condição humana, é necessário aceitá-las, num esforço criativo de superação.
d) – Perspectivas:  * Buscar maior relacionamento episcopal, sacerdotal e social. Cultivo de comunhão com Deus,  por meio da meditação e oração; * Fomentar entre os presbíteros encontros de estudo para aperfeiçoamento de temas teológicos e questões pastorais, assim como reuniões de convivência humana e de troca de experiências, dando oportunidade para tratar de problemas de vivência sacerdotal; * Respeitar as limitações pessoais e valorizar as qualidades de cada um.

 

4) – INSEGURANÇA DO PRESBÍTERO FRENTE AO FUTURO:
a) – Situação: Há generalizada preocupação dos presbíteros em face das garantias presentes e, especialmente, futuras, de ordem material: assistência, manutenção, residência, etc.
b) – Causas: Rendimentos baixos dos presbíteros, situação precária de presbíteros do passado e do presente, insuficiência do IPREC. Descaso do povo quanto à situação, a ausência de vocação à pobreza evangélica, frieza da cúria em face do problema.
c) – Consequências: Preocupação justa de muitos presbíteros, quanto ao problema, e exagerada preocupação de outros que não têm motivo para tanto.
d) – Perspectivas:  *Estudar e decidir passos concretos para a solução do problema da insegurança econômica frente à doença e à velhice, analisando a viabilidade das sugestões dadas (casa apropriada, melhores rendimentos, diligências junto ao INPS, etc.).

 

5) –  A AÇÃO PASTORAL DO PRESBÍTERO:
a) – Situação: Há insatisfação nessa área: absorção enorme de tempo em administração de sacramentos e de bens materiais, exigências e condutas muito divergentes mutuamente criticadas, falta de metas prioritárias, desconhecimento de métodos adequados, doutrinações que atingem, às vezes, as raias da heresia e infidelidade à Igreja.
b) Causas: Em sua maior parte, as causas decorrem de uma visão diversa de Igreja, com reflexos em toda a pastoral, porquanto esta é o meio para o estabelecimento daquela que cada qual visualiza.
c) Consequências: Visão diversa de Igreja gera pastoral diversa.
d) Perspectivas: * Organizar nossa Igreja Particular de tal forma que aconteça nela, em todos os níveis, participação e corresponsabilidade; * Promover maior representatividade no Conselho Diocesano de Presbíteros e participação nas decisões de âmbito diocesano; *Continuar o aprofundamento de uma linha pastoral que seja comum a toda a diocese, com objetivos claros e prioridades nos níveis de ação; *Estabelecer diretrizes, normas ou orientações comuns para disciplinar a administração dos sacramentos e a administração dos bens materiais; * Incentivar a troca de experiências e manter o clero informado a respeito de experiências concretas que são realizadas na base.

 

6) – A VIVÊNCIA DE FÉ DO PRESBÍTERO:
a) – Situação: Embora pouca coisa tenha sido dita sobre a vivência da fé do presbítero, sente-se bem os problemas que o envolve. Algumas declarações: não reza como outrora; não se promovem vocações; o povo não sabe o que é a vida cristã; a fé influi, mas não unifica a vida; o presbítero, teoricamente, é diferente e, na prática, é igual aos demais; o processo de transição, pelo qual o mundo passa hoje, obscurece a fé; a fé não apresenta opção radical; só o Evangelho pode modificar os valores e linhas do pensamento; a fé é aceitação de Cristo, verdade fundamental.
b) – Causas: Desejo de renovar e aprofundar, inspirado pelo Vat.II;  estagnação de estudos; espírito rotineiro; superficialidade; preconceito; intransigência; unilateralidade; indisciplina; subjetivismo; vaidade.
c) – Consequências: Perplexidade de muitos com  reações diversas: intransigência, desencanto, rotina, compensações; enquanto outros, constroem-se e vão construindo o reino de Deus, certos de que ele se expande, apesar dos entraves e dificuldades.
d) – Perspectivas: *Aprofundar a vida de fé, mediante a reflexão e a vivência constante do Evangelho;* Fazer da própria ação pastoral junto ao povo motivação permanente para a vida de fé.

 

AONDE CHEGAMOS:

Recolhidos os diversos relatórios constatou-se que nem todos os temas tiveram igual tratamento. O primeiro tema teve maior atenção e na sua análise se dedicou maior cuidado na busca das causas e menor na busca das conseqüências e das soluções. O levantamento dos assuntos debatidos foi imenso. A comissão preparatória organizou uma “síntese dos relatórios das reuniões nas regiões de pastoral”: *  - A inserção dos presbítero no mundo; * - Integração dos presbíteros na estrutura eclesiástica;  * - Realização pessoal do Presbítero; * - Insegurança do presbítero frente o futuro; * - Ação pastoral do presbítero.

Essa síntese foi enviada aos presbíteros para estudo, reflexão pessoal e uma preparação próxima para a assembléia. E a partir dessa síntese, o Conselho Diocesano de Presbíteros organizou o temário:

 

    Tema básico: O PRESBÍTERO, HOMEM DE FÉ;   HOMEM DE IGREJA.
    a) – Realização pessoal e afetiva do Presbítero, tema apresentado pelo P. Luiz Colussi,
    b) – Realização pessoal e vida profissional do Presbítero,  tema, por Dom Celso Queirós,
    c) – Realização pessoa e segurança econômica, tema, pelo P. Adolfo Fedrizzi.

 

A FINALIDADE DA ASSEMBLEIA

 

Estava bem claro, na mente da comissão organizadora, que o mais importante era justamente a preparação com suas reuniões de debate e de estudo. E a assembléia tinha sentido enquanto seria o coroamento de toda uma caminhada e a celebração da busca de caminhos comuns. Seria, também, a busca e a decisão do que queremos, como presbíteros, reunidos com os Srs Bispos, do que poderíamos e do que deveríamos fazer, para construir o reino de Deus, nessa porção da “Vinha do  Senhor”.

Não se tinha a pretensão de encontrar fórmulas mágicas, mas apenas a certeza da busca. E a busca é vida, é confiança no poder criativo das pessoas, é coerência com a opção e com a visão de fé que a todos anima.

Não foi uma assembleia de estudos. Os estudos foram feitos na preparação. Tratou-se de aprofundar determinados aspectos dos problemas e tomar as devidas decisões. Vimos quais os problemas que nos preocupavam, como presbitérios. Vimos as causas, para tomar as devidas decisões.    

 

METODOLOGIA

A assessoria e a reflexão inicial estiveram a cargo de Dom Celso Queirós.

Esquema para cada um dos temas: * Introdução ao tema; * Grupos para a indicação de proposições, para solucionar o problema; * Plenário, apresentação das indicações: ler, motivar, justificar; * Grupos para a seleção das indicações: o que é prioritário, emendas; *Elaboração da síntese pela secretaria; * Apresentação da síntese; Votação na tarde do último dia.


        
RESOLUÇÕES  –  APROVADAS NA ASSEMBLEIA DE PRESBÍTEROS:

 

Iº.) – PRESBITÉRIO  – PRESBÍTEROS NA CORRESPONSABILIDADE: 
        (FUNDAMENTAÇÃO – RESOLUÇÕES – ENCAMINHAMENTOS)

“Os presbíteros, solícitos cooperadores da ordem episcopal, seu auxílio e instrumento, chamados a servir o povo de Deus, formam, com seu Bispo, um único presbitério, empenhados, porem, em diversos ofícios. Em cada comunidade local de fiéis tornam presente de certo modo o Bispo, ao qual se associam com espírito fiel e   magnânimo. Tomam como suas as funções e a solicitude do Bispo e exercem a cura pastoral diária”. ( L.G.28)

“Todos os presbíteros, quer diocesanos, quer religiosos, participam e exercem com o Bispo o único sacerdócio de Cristo, e são, portanto, prudentes cooperadores da ordem episcopal. (...) Por isto constituem um só presbitério e uma só família, cujo pai é o Bispo. As relações entre o Bispo e os sacerdotes diocesanos devem, sobretudo, apoiar-se nos vínculos de caridade sobrenatural. Isto de tal maneira que a concordância da sua vontade com a vontade do Bispo torna mais fecunda a sua ação pastoral (C.D. 28)

 

RESOSUÇÃO N. 01:  –   Revisar a estrutura e organização do Conselho de Presbíteros afim de que esse organismo de colegialidade seja, de fato, representativo, e tenha poder de decisão. Para que ele seja representativo é necessário que os membros do Conselho de Presbíteros consultem as bases, informando-as, posteriormente, das decisões.

 

ENCAMINHAMENTOS:  Para que o C. de P. seja, de fato, o que é proposto nessa resolução, é fundamental que todos os presbíteros tenham consciência de presbitério. Para fortalecer essa consciência o Conselho determina que, numa reunião de presbíteros, na região de pastoral, seja estudado o tema: “Presbitério” e “Conselho de Presbíteros” . Para tanto os presbíteros disporão de subsídios. Depois desse estudo será revista a estrutura e organização do Conselho. Desde agora, entretanto, a agenda de cada reunião do Conselho será enviada a seus membros com antecedência, para que os mesmos possam auscultar as bases. De cada reunião será elaborada uma ata para que os membros do Conselho possam transmitir, com fidelidade, aos demais presbíteros, as resoluções tomadas.

 

RESOLUÇÃO N. 02: – Apoiar e incentivar grupos de presbíteros que, conforme situações e necessidades comuns e concretas, se entre-ajudem, pessoal e pastoralmente, através de: refeições periódicas em comum; planejamento e execução de trabalhos em conjunto; reuniões periódicas de estudo. Onde for possível e conveniente, os presbíteros que desejarem morem na mesma casa e atendam a áreas pastorais mais amplas que uma paróquia, com autorização da autoridade eclesiástica competente.

 

ENCAMINHAMENTOS:  Para que esses grupos consigam o que se propõem, o C. P. lembra: nas transferências dos presbíteros seja  considerada essa resolução; os grupos a que se refere essa resolução sejam grupos abertos e comuniquem sua experiência aos outros presbíteros.

 

RESOLUÇÃO N.03: – Promover, cultivar a aprofundar a amizade entre os presbíteros por meio de: visitas informais; comemorações de datas significativas; criação de ambiente acolhedor nas casas paroquiais; reflexão e oração comunitárias em vista de uma união com Deus e com os colegas que fortaleça os presbíteros nos compromissos de sua missão apostólica; respeito com relação à diversidade de opiniões.

 

ENCAMINHAMENTOS:  As sugestões propostas nessa resolução devem ser estudadas e receber os devidos encaminhamentos em âmbito de região de pastoral.


IIº.) – FORMAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DOS PRESBÍTEROS:     
“No sagrado rito da Ordenação os presbíteros são admoestados pelo Bispo a “serem maduros na ciência” e que sua doutrina seja “remédio espiritual para o povo de Deus”. A ciência do ministro sacro há de ser sacra, porque extraída de sagrada fonte e orientada para um fim sagrado. (...) Alem disso, para dar resposta acertada às questões agitadas pelos homens de nosso tempo, é mister que  os presbíteros conheçam bem os documentos do Magistério e consultem os melhores e mais acatados escritores da ciência teológica.  Uma vez, porém, que em nossos tempos a cultura humana e também as ciências sagradas progridem num ritmo acelerado, os presbíteros são chamados a aperfeiçoar,de maneira adequada e ininterrupta, seus conhecimentos divinos e humanos e a preparar-se assim para iniciarem com mais vantagem o diálogo com os homens de hoje”. (P.O.)

 

RESOLUÇÃO N. 04: – Oportunizar aos presbíteros que desejarem frequentar cursos de atualização, ou aperfeiçoamento em teologia, em pastoral, ou em áreas afins que, responderem às novas realidades e situações, a que a Igreja é chamada a dar resposta.  Além disso, programar na diocese contínuos cursos de atualização teológico-pastoral para os presbíteros, aproveitando o esquema de reuniões já existentes na diocese e, eventualmente, a programação do Regional Sul 3. Para isso se empenhará o C. D. de P.
ENCAMINHAMENTOS:  Inicialmente, far-se-á um levantamento de interesses e necessidades, com relação a cursos, junto aos presbíteros da diocese. Paralelamente, a coordenação diocesana procederá a uma busca de informações sobre cursos existentes no país e no exterior, bem como a possibilidade de bolsa de estudos. Quanto a cursos de atualização na própria Diocese, o C. P. sugere que nas reuniões de presbíteros da região de pastoral sejam estudados temas que o Conselho vai propor e encaminhar.

 

RESOLUÇÃO N. 05: – Diante das diferentes visões teológicas (conteúdo), pastorais (método) e diante da realidade do povo (pesquisa), reunir as pessoas que tenham responsabilidade quanto à formação teológico-pastoral dos presbíteros, agentes leigos, religiosos, missionários, seminaristas, para definir princípios e linhas comuns de formação na diocese.
ENCAMINHAMENTOS:  Os Bispos, com o C. P. estudarão as diretrizes para a formação de agentes da pastoral a serem elaboradas por uma comissão criada pelo C. D. de P. e acrescentarão a elas, caso seja necessário, os princípios e linhas solicitadas nessa resolução.

 

RESOLUÇÃO N. 06: –  Rever a preparação dos candidatos ao presbiterato, engajando-os, durante sua formação em experiências pastorais em comunidades eclesiais de base. Esse engajamento deve ser levado em conta na aceitação do candidato.
ENCAMINHAMENTOS:  Essa tarefa fica sob a responsabilidade do assistente e da equipe de formação dos seminaristas maiores. No Seminário Menor, na medida do possível, também já se procure encaminhar os seminaristas a esse engajamento.

 

RESOLUÇÃO N. 7: – Criar  estrutura curial em que os Bispos possam atender e acompanhar os presbíteros na sua vida pessoal e pastoral, estabelecendo dias determinados para atendimento e para visitas periódicas às bases.
ENCAMINHAMENTOS:  No ano de 1977, o Sr.Bispo coadjutor visitará todos os presbíteros para acompanhá-los em sua vida pastoral e pessoal. Nas quintas-feiras o Sr. Bispo coadjutor, a partir de março, estará no bispado para atendimento. No próximo ano será instalado, no edifício Santa Tereza, o Centro de Pastoral, para onde  será também transferida a administração diocesana.


IIIº.)  –  AÇÃO PASTORAL DOS PRESBÍTEROS
“A experiência dos séculos passados, o progresso das ciências, os tesouros escondidos nas várias formas da cultura humana, pelos quais a natureza do próprio homem se manifesta mais plenamente e se abrem novos caminhos para a verdade, são úteis também à Igreja. Ela própria, com efeito, desde o início de sua história a exprimir a mensagem de Cristo através dos conceitos e linguagem dos diversos povos e tentou ilustrá-la com a sabedoria dos filósofos, com o fim de adaptar o Evangelho, quanto possível, à capacidade de todos e às exigências dos sábios. (...) Compete a todo o povo de Deus, principalmente aos pastores e teólogos. Com o auxílio do Espírito Santo, auscultar, discernir e interpretar as várias linguagens do nosso tempo, e julgá-las à luz da palavra divina, para que a Verdade revelada possa ser percebida sempre mais profundamente, melhor entendida e proposta de modo mais adequado”.  (G.S 44)
“Mas a evangelização não seria completa se ela não tomasse em consideração a interpelação recíproca que fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social dos homens. É por isso que a evangelização comporta uma mensagem explícita, adaptada às diversas situações e continuamente atualizada: sobre os direitos e deveres de toda a pessoa humana e sobre a vida familiar, sem o qual o desabrochamento pessoal quase não é possível; sobre a vida em comum na sociedade; sobre a vida internacional, a paz,  a justiça e o  desenvolvimento; uma mensagem sobremaneira vigorosa nos nossos dias, ainda sobre a libertação”. (E.N.29)

 

RESOLUÇÃO N. 08:  –  Desenvolver nos diversos níveis (paroquial, região pastoral, diocesano) estudos e pesquisas sobre a realidade de vida do povo da Diocese, para que, mais claramente, se conheçam os problemas, as angústias, os valores, as aspirações das pessoas junto às quais  os presbíteros exercem seu ministério, e para que possam, com isso, tomar posições conjuntas nas situações de injustiça.

 

ENCAMINHAMENTOS:  A metodologia e a sistemática da ação pastoral, presentes no Plano Diocesano, levam a uma aproximação da realidade. No Plano, além disso, são indicados passos para proceder a um estudo da realidade, na pastoral de meio... O que leva a: * se realizar um levantamento da situação concreta da vida do povo; * se fazer um questionamento no contexto da realidade global; *se fazer uma reflexão à luz da Fé; * e as tomadas eventuais de posição diante das situações de injustiça.
    

RESOLUÇÃO N. 09:  –  Criação e animação, por parte dos párocos, de grupos de trabalho pastoral de leigos (equipes paroquiais, círculos bíblicos, movimentos, catequese, liturgia, grupos vocacionais, etc.) nos quais se viva em verdadeiro relacionamento de ação, reflexão e amizade.

 

ENCAMINHAMENTOS:  No Plano de Atividades Pastorais da Diocese para 1977, há programas específicos, onde constam projetos que se referem ao incentivo das equipes pastorais existentes, bem como à criação de novas equipes. De resto todo o Plano Diocesano, seja pelo seu objetivo, como pela sua metodologia, é apto para levar ao tipo de relacionamento sugerido na resolução.

 

RESOLUÇÃO N. 10:  –  Para que os presbíteros se realizem como pastores, é necessário que partam, paciente e corajosamente, para uma mudança da estrutura paroquial. Nessa tarefa, cabe especialmente aos presbíteros:  selecionar prioridades em ação; partir do conhecimento da realidade concreta de sua comunidade; dedicar-se, de modo especial, a pequenos grupos, alimentados coma Palavra que os leve à Eucaristia. À diocese, cabe criar uma estrutura que garanta assessoria para a continuidade e aprofundamento desse trabalho.

 

ENCAMINHAMENTOS:  O Plano de Atividades Pastorais da Diocese, seja pelo objetivo que o inspira, seja pelos programas e projetos de que se compõe, seja pela metodologia nele prevista, oferece instrumentos concretos para o trabalho indicado nessa resolução.

 

RESOLUÇÃO N. 11:  –  Levar os presbíteros, ligados à pastoral paroquial, a dedicarem o tempo integral ao seu trabalho, como animadores de comunidade e educadores da Fé.

ENCAMINHAMENTOS:  Os Bispos estudarão e orientarão cada caso, em particular. Além disso, o assunto deve ser refletido em nível de região, isto é,  cada região estude a sua própria situação. Enfim, os presbíteros ligados à pastoral paroquial e que, ao mesmo tempo, tenham outras atividades, reúnam-se, estudem e apresentem ao Conselho de Presbíteros suas propostas.

 

RESOLUÇÃO N. 12: –  Estabelecer normas práticas sobre os pontos de doutrina, prática litúrgica e sacramental que atualmente estão gerando confusão, insegurança e insatisfação entre os presbíteros.

ENCAMINHAMENTOS:  A medida mais oportuna, no momento, para concretizar o que é proposto por essa resolução deve ser o estudo e a valorização dos documentos da CNBB sobre a “Pastoral dos Sacramentos da Iniciação Cristã”. A coordenação da região decida sobre o modo de fazer esse estudo.

 

RESOLUÇÃO N. 13: –  Os presbíteros que não exercem atividades diretamente pastorais também devem participar das reuniões normais dos conselhos da região, para que avivam a colegialidade do presbitério e sintam-se corresponsáveis.

 

ENCAMINHAMENTOS:  Os coordenadores da região enviarão aos presbítero de sua região, antecipadamente, convite e agenda da cada reunião do conselho. Além disso, ao início do ano, a coordenação diocesana remeterá a todos os presbíteros o cronograma geral da diocese, onde constam as datas de reunião dos conselhos das regiões de pastoral.

 

IVº.) – SOLIDARIEDADE E ENTRE AJUDA PRESBITERAL:

“Os presbíteros, estabelecidos na Ordem do presbiterato através da Ordenação, estão ligados entre si por uma íntima fraternidade sacerdotal; de modo especial, porém, formam um só presbitério na diocese, para cujo serviço estão escalados, sob a direção do Bispo próprio” (P.O. 8)

“Na convivência amiga e fraterna entre si e com os demais homens chegam os presbíteros a cultivar os valores humanos e estimar os bens criados como dons de Deus. Encontrando-se embora no mundo, tenham sempre consciência de que, segundo sua palavra de nosso Senhor e Mestre, não se utilizassem, chegarão àquela liberdade pela qual se sentirão livres de todo o cuidado desordenado e se farão dóceis para ouvirem a voz de Deus na vida de cada dia”.  (P. O. 17)

 

RESOLUÇÃO N. 14:  – Realizar, o mais breve possível, um programa de entre-ajuda financeira de paróquias e presbíteros, numa dimensão de fraternidade e justiça.

 

RESOLUÇÃO N. 15:  – Proceder um levantamento da situação dos presbíteros idosos e inválidos, a fim de que sejam encaminhadas soluções adequadas a cada caso.

 

RESOLUÇÃO N. 16:  –  A diocese deve colocar à disposição de presbíteros idosos e inválidos, que necessitam, casa para morar.

 

ENCAMINHAMENTOS:  
1) –  A entre-ajuda obedecerá a peculiaridade de cada caso.
2) – Será nomeada pelo Conselho Presbiteral uma comissão de três presbíteros; a referida comissão terá a incumbência de estudar, encaminhar a execução e garantir uma criteriosa aplicação dos auxílios; será ainda, a intermediária para receber contribuições e alcançá-las aos destinatários.
3) –  Cada caso, depois de estudado, será apresentado, por escrito ao presbitério, bem como a indicação do montante global necessário; ressaltando-se que, para os carentes, terá apenas um valor informativo.
4) – Para maior agilidade e evitar possíveis constrangimentos, os beneficiários não figurarão como pedintes, nem será informado a respeito das fontes contribuintes; o que, depois de recebido o auxílio, não impede um agradecimento destinado ao presbitério na sua totalidade.
5) – A Comissão insista, conforme resolução N. 17, junto aos presbíteros favorecidos que, em seu testamento, de cunho legal, contemplem seus colegas, que venham a necessitar de igual ajuda.
6) – Zele-se para que todos os presbitérios estejam associados ao IPREC ou INPS.

 

Continua...