Solidariedade presbiteral: Síntese do assunto central da assembleia do clero - 11/12/2017 - Parte 2

Continuação...

 

RESOLUÇÃO N. 17:  –  Recomendar aos presbíteros, que possuem casas de sua propriedade, que cedam as mesmas, em testamento, para a assistência aos irmãos presbíteros.

ENCAMINHAMENTOS:  Os Bispos, oportunamente, procederão a essa recomendação. Um modelo de testamento será enviado aos presbíteros, para auxiliar, aos que desejarem fazê-lo.

 

RESOLUÇÃO N. 18: – Os hospitais da Mitra Diocesana devem dar atendimento hospitalar gratuito  aos presbíteros para os quais os recursos da assistência providenciaria não seja suficientes.

 

RESOLUÇÃO N, 19:  –  Para evitar a sensação de frustração e inutilidade, na medida do possível, os presbíteros idosos e inválidos sejam acolhidos nas casas paroquiais, onde recebam carinho fraterno, valorização e trabalho pastoral condizente.

 

ENCAMINHAMENTOS: É uma tarefa a ser assumida por todo o presbitério.

 

RESOLUÇÃO N. 20: - Encaminhar à Presidência da CNBB um pedido de que esse organismo gestione, junto aos órgãos competentes, no sentido de o trabalho dos presbíteros ser considerado, no Brasil, uma atividade remunerada para fins de Previdência Social.

 

ENCAMINHAMENTOS: O Sr. Bispo já encaminhou ao Presidente da CNBB esse pedido. O assunto será debatido na próxima Assembléia Nacional dos Bispos.

 

RESOLUÇÃO N. 21: As paróquias ou entidades a que serve o presbítero paguem 50% das taxas previdenciárias ao IPREC ou INPS, não porém, a ambos simultaneamente.

 

ENCAMINHAMENTOS: Os 50% destinados ao INPS serão o equivalente às taxas pagas ao IPREC, ou seja, o INPS deve ser pago somente sobre um salário mínimo, por parte da entidade.

 

Vº.) –  ADMINISTRAÇÃO PAROQUIAL:

 

RESOLUÇÃO N. 22: Revisar as atuais taxas pagas pelas paróquias à Mitra diocesana, segundo um critério de rendas de cada paróquia. Revisar também, com urgência, os atuais limites de certas paróquias, partindo de uma análise em âmbito de região pastoral, com a presença do Sr. Bispo diocesano.

 

ENCAMINHAMENTOS: Além do critério de renda de cada paróquia, para maior objetividade, ter-se-ão presentes os seguintes critérios: * acervo patrimonial; * situação econômica da paróquia; * obras urgentes a serem realizadas na matriz e nas capelas; * as necessidades diocesanas e * a comunhão de bens. Esse estudo será feito pelo Conselho Diocesano de Presbíteros. Para a revisão dos limites paroquiais, os coordenadores da região fixem com o Sr. Bispo a data de uma reunião..

           

RESOLUÇÃO N. 23: Encaminhar aos órgãos competentes do Governo Federal um pedido de reconhecimento da Mitra diocesana como entidade de fins filantrópicos.

 

RESOLUÇÃO N. 24: A diretoria administrativa da diocese examine e supervisione, com a comissão de finanças das paróquias, casos especiais de melhor aplicação de dinheiro, em construções e outros investimentos, bem como, ajude a sensibilizar a mesma comissão, para a responsabilidade de sustentar o trabalho pastoral.

 

ENCAMINHAMENTOS: A diretoria administrativa vai codificar as normas já existentes, adaptá-las, insistir no cunho pastoral das mesmas, dos bens, dos valores e divulgá-las amplamente.

 

PONDERAÇÕES   FINAIS... E Hoje

 

O que foi apresentado, resoluções e encaminhamentos, foi o resultado de um trabalho intenso de oração, reflexão pessoal, por grupos de padres, nas regiões de pastoral, o que culminou na ASSEMBLEIA DIOCESANA DE PRESBÍTEROS.

 

Importante foi a assessoria de Dom Celso Queiróz, a presença de Dom Benedito, Dom Paulo e da quase totalidade dos presbíteros. Um destaque foi o clima tranqüilo de oração, estudo e de debates, o que foi fruto de todo o empenho na preparação.    

 

Nossa segurança é a segurança do peregrino: aprendermos a viver na frugalidade e na simplicidade. À luz do que o Mestre  nos disse: “As aves do céu tem seus ninhos... o Filho do Homem não tem onde pousar a cabeça”. Somos peregrinos, não temos morada permanente – aqui vale refletir sobre o sentido das transferências.  Temos a mística do Evangelho, essa luz a nos animar na caminhada. Temos o presbitério, o colegiado, que na fraternidade nos sustenta. Temos a diocese – com seu rosto e sua bela tradição –  que com sua estrutura e encaminhamentos concretos, zela por todos nós.

           

A segurança do presbítero está no compromisso e na mística que nos sustenta e leva a assumir  o ministério de Jesus Cristo, “para que o povo tenha vida”, o que significa uma presença evangélica, nas comunidades; viver com o povo de Deus e ser testemunha da presença do Ressuscitado. 

           

Temos segurança, no agir pastoral, assumindo junto o Plano Diocesano de Evangelização, nos mostra que devemos agir em conjunto, se não todos no mesmo nível, devemos agir todos orientados pelo mesmo objetivo, apontado por Jesus Cristo: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em plenitude.

 

Uma idéia muito acentuada, durante a assembleia foi a de que a segurança, econômico-financeira, não está nas medidas individuais, que cada um possa assumir – nessa dimensão não há limites e não haverá recursos suficientes. A segurança do presbítero estará nas atitudes coletivas e eclesiais, que o presbítero deve assumir, e nos encaminhamentos concretos indicados e assumidos pela assembleia. As medidas concretas e os encaminhamentos assumidos, a partir dessa assembleia, foram passos concretos, para se ter mais fraternidade e vivência presbiteral, na mística do Evangelho, como presbíteros da diocese de Caxias do Sul.

           

Faz-se necessário valorizar o trabalho feito, o caminho realizado e ver que o que se construiu é fruto de uma tomada de consciência, não de um grupo de iluminados, mas de um trabalho sério, realizado em toda a diocese: Somos presbíteros, integrados num presbitério. Os passos dados foram fruto de atitudes assumidas no conjunto do presbitério; ações assumidas em conjunto, onde o pouco de muitos conseguiu realizar essas iniciativas – fraternas e coletivas – que dão segurança e tranqüilidade a todos.

           

Esse exemplo e esse testemunho de fraternidade presbiteral não podem ser esquecidos. Deve ser lembrado, refletido e tornado presente aos colegas que ingressam ao presbitério da diocese de Caxias do Sul. Sintam que, o que se conseguiu construir, é fruto de decisões coletivas, que foram assumidas após estudo, reflexão e oração – individual e nas regiões de pastoral – e depois, estudadas e aprovadas na Assembleia Diocesana de Presbíteros.

           

Devemos reconhecer: há limitações e deficiências – elas devem ser estudadas coletivamente, e assumir o compromisso de “corrigir a rota”. Passos novos devem ser dados, para que as decisões sejam atualizadas e aplicadas às novas situações, porque a vida é dinâmica e continua.

           

Sem dúvida, sabemos que houveram deficiências. Houve falta de compreensão. Houve demora em assumir as decisões tomadas, para se viver a SOLIDARIEDADE PRESBITERAL. Apesar de todo o esforço e trabalho... houve quem se negasse a acreditar na causa...  e no caminho, pessoalmente, procurou “construir seu ninho” e... mas, lá adiante, na falta de recursos,  foi caridosamente acolhido por aqueles que acreditaram, construíram e se comprometeram com a SOLIDARIEDADE PRESBITERAL.

           

A vida traz lá suas surpresas!

             

           

ENCAMINHAMENTOS PARA ASSISTÊNCIA MÉDICA E APOSENTADORIA

 

           

Dando prosseguimento às decisões assumidas na Assembleia do Clero, um grupo de padres estudou novos passos que deveriam ser dados. Depois de reflexão, debates nas Regiões de Pastoral e decisões tomadas, foi feita a seguinte comunicação:

           

Caxias do Sul, 05 de junho de 1987  

 

Prezados colegas no sacerdócio.

Saudações em Cristo!

           

Na Assembleia do Clero, realizada no dia 11 de maio do ano corrente, apresentamos sugestões a respeito do PLANO DE SAÚDE e APOSENTADORIA. Ambas as sugestões foram aprovadas por larga maioria de votos. Foi-nos ainda dado o encargo de encaminhar o andamento do contrato com a UNIMED.

                                   

PLANO COLETIVO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA

           

Tivemos um contato com o representante da UNIMED, para esclarecimentos e encaminhamento do contrato:

- Quem já tem contrato com UNIMED, pode passar para o plano coletivo, sem que haja necessidade de renovar os prazos de carência.

- Quem tem 60 anos ou mais, na hora da implantação do contrato, terá as mensalidades acrescidas de 50% no seu valor básico.

            1) CUSTOS: Observamos que em julho haverá um reajuste, que é trimestral, e segue aproximadamente as variações da OTN:

            PLANO BÁSICO: Mensalidade de CZ$ 240,00. Taxa de inscrição 60,00.

            PLANO EXECUTIVO: Mensalidade de CZ$ 352,00. Taxa de inscrição CZ$ 60,00.

            Quanto ao atendimento, veja a folha que lhe foi enviada: “Plano de Assistência Médica a Empresas”. Ressaltamos que o plano não dá cobertura para radiografias computadorizadas, ponte de safena e transplantes.

            2) Carências: Conforme o plano que foi enviado, com exceção de que não haverá carências para consultas, exames laboratoriais e de Raio X e para atendimento ambulatorial, quando o contrato é feito para mais de 50 pessoas.

            3) Formas de pagamento: Para a UNIMED será feito mediante a apresentação de duplicata à Mitra Diocesana. Cada padre ou funcionário deverá reembolsar à Mitra Diocesana, até 15 (quinze) dias de cada mês, através de:  – Depósito  na conta do BANRISUL _____MITRA DIOCESANA (PLANO SAÚDE). Ao fazer o depósito indicar na conta o nome do remetente:  – Por Cheque Bancário, em nome da Mitra Diocesana  – Pessoalmente na Secretaria da Cúria.

            4) Funcionários: Para funcionários registrados em nome da Mitra – Paróquia__________ nas mesmas condições acima expostas. As custas deverão ser pagas pelos mesmos.

            Temos urgência em receber sua resposta. Pedimos que preencha a Ficha que vai junto, com os dados solicitados e seja remetida à Cúria até o dia 25 do corrente.

            Logo que tivermos as respostas em mãos, faremos a relação dos solicitantes e será então firmado o contrato com a UNIMED.

            Quanto ao Plano (Básico ou Executivo), será o que obtiver o maior número de votos. Não resta dúvida que para nós sacerdotes, já teremos apartamento garantido em nossos hospitais, e é suficiente o Básico do Plano “C”.

 

                                              

PLANO DE APOSENTADORIA

 

           

Recordamos que a sugestão apresentada e aprovada, foi no sentido de dar condições ao padre de contribuir sobre mais salários mínimos, e assim providenciar uma aposentadoria em melhores condições. Por isso, a participação da paróquia (ou entidade) é o pagamento da taxa sobre 2 S.M. para os que tem de 10 a 20 anos de ordenação e de 3 S.M. para os que tem mais de 20 anos de ordenação, dando assim mais chance para que o padre pessoalmente, contribua sobre mais salários, observando as carências, para ter uma aposentadoria melhor.

           

Quanto aos Padres Aposentados, foi aprovado o recolhimento de uma importância correspondente à taxa de INPS sobre um S.M., a ser recolhida na Mitra Diocesana, para constituir um “Fundo Emergencial de Assistência”, para pela paróquia ou entidade a que serve.

          

Relembramos que todos os sacerdotes diocesanos devem ter um “Plano de Saúde”;

           

Quando aos religiosos (párocos ou vigários paroquiais) e, quem sabe, outros, caso necessitem desses nossos auxílios, e sendo possível, colocamo-nos ao inteiro dispor.

             

Casos imprevistos ou que necessitem de contemplação, serão estudados e resolvidos pela próxima Assembleia do Clero e pelo Conselho Presbiteral.

           

É uma decisão assumida na Assembleia do Clero no dia 11 de maio de 1987 e ratificada pelo Conselho Presbiteral, na reunião levada a efeito no dia 04 do corrente, tornando-se assim, uma Lei diocesana, concretizando o que prescreve o Can. 281 § 1 e 2 do Código de Direito Canônico, com Leis complementares para o Brasil, por isso, obrigatória.

           

Com fraternal abraço, 

Pe. Ernesto Brandalise

Vigário Geral e Ecônomo da Diocese         

           

Pe. Leonel Pergher Coordenador da Equipe

 

           

Esta Circular, por determinação do Sr. Bispo diocesano, Dom Paulo Moretto, com aprovação do Conselho Presbiteral, seja transcrita, na íntegra no Livro Tombo de todas as paróquias.

                    

Caxias do Sul, 05 de junho de 1987 -  Pe. Ernesto Brandalise – Vigário Geral

                                                                       

 

Com o estudo e a reflexão, nas regiões de pastoral e com a participação dos padres; com o debate e aprovação das sugestões nas assembléias, de uma forma gradativa, foram realizadas as resoluções da assembléia de 1976.

                                   

OUTROS ENCAMINHAMENTOS

 

Na diocese temos dois instrumentos, muito importantes, para o acompanhamento  e assistência à vida e ao ministério do presbítero: O Conselho Presbiteral, que em todas as reuniões, um tema permanente é a “Pastoral Presbiteral” e a “Sociedade Assistencial e cultural São João Vianney”.

Em 1981 foram redigidos e registrados os novos estatutos da S.A.C.S.J.V. A partir dessa data a Sociedade passou a ser mais atuante. Periodicamente realizou assembleias  gerais, que, com a participação de todos foram debatidos e encaminhos assuntos do interesse do presbitério.

 

CASA  DA  PRAIA  DE  TORRES

 

Tínhamos  a Casa da Praia do Arroio Seco. A ideia foi debatida no tempo de Dom José Barea. A compra do terreno e a construção foi realizada pelos Padres Ângelo Tronca, Ernesto Brandalise e Jacó Dal Pozzo. A inauguração foi realizada em dezembro de 1951. Acolhia padres e seminaristas.

           

Com o andar dos tempos, novas exigências e novas idéias... Surgiu a ideia de se construir uma nova Casa da Praia, em Torres. O assunto foi debatido, estudado e foram dados passos concretos no sentido de se realizar essa aspiração. Num primeiro momento foi estudada a possibilidade de se comprar uma casa, que estava à venda.  Houveram alternativas quanto ao terreno. A decisão foi de regulamentar a posse do terreno ao lado da Igreja São Domingos, em nome da Sociedade: A. C. S. São João Vianney. Foi estudado e aprovado o projeto. A planta foi registrada na Prefeitura de Torres .

           

Na busca de recursos, viu-se a possibilidade de se vender o terreno da Casa de Praia de Arroio Seco; aberta a contribuição dos padres e paróquias; recebeu-se uma contribuição significativa do espólio do P. Teodoro Portolan e do P. Antônio Alessi. A Mitra Diocesana participou diretamente pondo à disposição  terrenos. Houve a proposta de o P. Ângelo Tronca pagar as custas de um apartamento e de se fazer um contrato de uso. Proposta essa que foi aceita.

           

Em 1983 foi iniciada a construção. Uma equipe de padres acompanhou a execução dos trabalhos. Nas  assembleias havia comunicação sobre o andamento da obra e a necessidade de novos recursos.

           

Aos 15 de dezembro de 1986, foi realizada a assembleia da Sociedade e inaugurada a Casa da Praia de Torres. Na prestação de contas, a respeito dos gastos de construção, foi comunicada a existência de dívidas e a necessidade de investimentos para o mobiliário e questões pendentes. Foi pedida a colaboração dos presbíteros e das paróquias. Surgiu a idéia de se fazer uma rifa, que foi aceita. Depois de todos os encaminhamentos e realizados os trabalhos, para cobrir um resto de dívidas, foi feito um rateio entre os presbíteros.

           

Foi elaborado um regimento interno para a destinação e o uso da Casa de Praia. O pároco de Torres daria assistência e o atendimento necessário.

           

Na assembleia de março de 1996, foi apresentado o projeto de se reformar a  casa, por cause de uma infiltrações e de se fazer uma cobertura. O que daria melhor aproveitamento daquela área. Os recursos  seriam obtidos pela doação de uma mensalidade do Fundo Complementar de Saúde e doações dos presbíteros, paróquias e uma doação do Santuário de Caravaggio. Feita a aprovação. Executado o projeto. Houve um contratempo com o Ministério Público e a SPHAN, por altera o “entorno de um Patrimônio Cultura, a Igreja São Domingos”.

           

Aconteceu que um vendaval derrubou umas árvores que tapavam a casa e o muro ter sido pintado com uma cor que contrastava com a frente da Igreja. O Departamento Jurídico da Associação (na reforma dos Estatutos a “Sociedade” passou sua denominação para “Associação Cultural e Assistencial São João Vianney”) encaminhou a solução do problema.

           

Por essa resenha, vemos que os encaminhamentos e as decisões sobre o projeto a execução da obra e a captação de recursos... tudo foi estudado, debatido e decidido em assembleias, teve participação da Mitra Diocesana, das paróquias e participação ampla dos presbíteros.

                        

FUNDO COMPLEMENTAR DE SAÚDE

 

Na Assembleia dos Presbíteros de maio de 1996 foi decidido: a) Que alem do plano de saúde (UNIMED Empresarial) será formado um “Fundo Complementar de Saúde”, para suprir gastos extras que o Plano não dá cobertura; b) A constituição do Fundo será pela contribuição, pessoal e mensal de cada presbítero, de 50% do salário mínimo; c) a administração será exercida pelo Conselho presbíteros incardinados na diocese de Caxias do Sul, automaticamente é membro sócio da Associação Cultural e Assistencial São João Vianney e participante do Fundo Complementar de Saúde.

           

Foi enviada correspondência a todos os presbíteros esclarecendo o encaminhamento das contribuições e critérios sobre o uso dos benefícios do mesmo.

 

           

Carta Circular n. 02/96:

                                                     

Caxias do Sul, 10 de junho de 1996

          

Prezado presbítero:

           

O digno sustento dos que anunciam o Evangelho é preocupação da Igreja, desde o seu início: “o operário é digno do seu salário” (Lc 10,7) e o “Senhor prescreveu aos que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho” (ICor 9,14).

           

O Código de Direito Canônico, assumindo as orientações do Concílio Vaticano II (PO,20), assim formula esta solicitude, no cânon 281: “Os clérigos,já que se dedicam ao ministério eclesiástico, têm direito a uma remuneração adequada à sua condição, levando-se em conta a natureza do próprio ofício e as condições do lugar e tempo, e com a qual possam prover às necessidades da própria vida e à justa retribuição daqueles, de cujo serviço necessitam.

           

Assim também, deve-se assegurar que possam usufruir da assistência social, que atenda convenientemente às suas necessidades em caso de doença, invalidez ou velhice.

           

Os diáconos casados, que se dedicam em tempo integral ao ministério eclesiástico,  têm direito a uma remuneração com que possam prover ao sustento seu e da própria família; todavia, os que receberem remuneração em razão da profissão civil, que exercem ou exerceram, atendam às necessidades próprias e de sua família com as rendas daí provenientes”.

           

Nossa diocese em sua história serviu-se de vários meios para ir ao encontro dessas necessidades: a Sociedade Cultural e Assistencial São João Vianney, o IPREC, o próprio INPS (INSS). Os hospitais diocesanos, o plano de saúde UNIMED e outras iniciativas menores.

           

Buscando melhorar e ampliar esses meios, o Conselho Presbiteral e a Assembleia do Clero, em 10 de maio de 1996, chegaram às seguintes conclusões e medidas, que terão força de lei diocesana:

           

1º. Todos os presbíteros devem contribuir para o INSS, como autônomos, especialmente em vista da aposentadoria. Cada paróquia ou entidade pagará essa contribuição para os presbíteros que estão a seu serviço. Para poder contar com uma aposentadoria melhor, a entidade participará do seguinte modo: contribuição sobre 01 (um) salário, até 10 anos de ordenação; sobre 02 (dois) salários, de 10 a 20 anos de ordenação; sobre 03 (três) salários, a partir dos 20 anos de ordenação. Entretanto, cada um, pessoalmente, veja e providencie pelo que lhe é conveniente ou necessário.

           

2º. Todos os presbíteros devem ter um plano de saúde. O pagamento desse plano será feito pela paróquia, ou entidade a serviço da qual o presbítero exerce seu ministério. Além do plano, será instituído um Fundo Complementar ao Plano de Saúde, para que, em nenhuma situação de doença falte o necessário apoio. Esse fundo será formado pela participação pessoal de cada presbítero, com uma contribuição mensal, excluído o mês de janeiro, no valor de 50% do salário mínimo... É um gesto concreto de fraternidade presbiteral, levado em consideração quando foi fixado valor da côngrua. O fundo será gerido pelo Conselho Fiscal da Sociedade São João Vianney, com o apoio administrativo da Cúria Diocesana. Cada presbítero envie essa contribuição, de forma especifica, à Mitra Diocesana, mensalmente.

           

Por fim, com relação a esse assunto, o atual plano de saúde é o Plano C da UNIMED.  Entretanto, outras alternativas estão sendo examinadas, ou a própria UNIMD, ou em outras entidades.

           

As paróquias atendidas por religiosos também pagarão a esses o equivalente ao plano de saúde dos padres seculares, para o atendimento à saúde, assumido pelas próprias congregações.

           

3º. Todo o presbítero Incardinado na diocese de Caxias do Sul é membro sócio da Sociedade Cultural e Assistencial São João Vianney. Ela conserva a índole própria de sociedade de presbíteros, com personalidade jurídica, estatutos próprios e conseqüente autonomia. A anuidade estabelecida pela própria sociedade é o valor de meio salário mínimo, a ser pago, no mês de janeiro do fundo complementar de saúde. Assim, nesse mês, conforme o que foi planejado, não será necessária a mensalidade para o fundo complementar.

           

4º. As condições materiais são necessárias para todas as criaturas humanas, também para nós presbíteros, a fim de que possamos  cumprir nossa missão. As comunidades procuram, com generosidade, oferecer essas condições (casa, alimentação, condução, plano de saúde). Como um modo de reconhecer e retribuir nosso trabalho pastoral. Isto requer de nossa parte uma atenção muito cuidadosa, no sentido de termos um estilo de vida modesto e simples, sem exigências, solidários à situação do nosso povo. De modo especial, ninguém deve usar dessas condições em favor de seus interesses particulares. Certamente não faltará a compreensão da comunidade em alguma necessidade ou situação particular.

           

5º. As medidas que acabo de comunicar são fruto de uma busca para dar ao nosso clero boas condições materiais de sustento e segurança. Nessa caminhada, aparecem, muitas vezes, a aspiração e a sugestão de construir em Caxias do Sul uma casa do padre. Embora não se tenha chegado a decisões concretas, essa ideia merece ser cultivada e amadurecida.

           

Todos juntos teremos a força necessária. Todo o dinheiro não nos dará segurança. O amor fraterno, a amizade sacerdotal, a solidariedade cordial e afetiva são a melhor garantia. Não é um convite para a imprevidência, mas sim para não por nos bens materiais nossa segurança. Fiz essas comunicações, que já são decisões que entraram em vigor em I. de maio,não ignorando que ainda há questões aberta.

           

Peço a todos os presbíteros que dêem conhecimento do conteúdo às comunidades, especialmente à equipe administrativa e à equipe de apoio administrativo da paróquia.

           

Fraternalmente,                                            

                                                          

+ Paulo Moretto 

Bispo Diocesano de Caxias do Sul

 

 

CASA DO PADRE

 

Surgiu a ideia de se ter uma casa, onde seriam acolhidos e assistidos os padres idosos e doentes. Na assembleia dos presbíteros de setembro de 1994, iniciou-se uma reflexão  com os padres e o estudo foi feito nas regiões de pastoral.  O estudo foi orientado por essas perguntas: *Estamos de acordo com a construção da Casa do Padre? *Qual a finalidade? * Com que recursos? * Como seria a administração? * Outras sugestões.

           

Na assembleia  foi tomada essa decisão: Que seja uma casa de acolhida aos padres idosos e doentes, Tenha uma infra-estrutura própria para dar um bom atendimento. Os recursos para a construção  provirão da diocese e  das paróquias; cada padre fará sua colaboração pessoal.

           

Na Assembleia de 1997 a proposta de se construir a Casa do Padre pareceu boa, porque se trata de uma questão de espiritualidade presbiteral, de comunhão e fraternidade.

           

Na assembleia de 1998 foi apresentado o projeto e foi comunicado que o Conselho Diocesano de Presbíteros nomeou uma equipe responsável pelo encaminhamento da construção: P. Alcindo Trubian, P. Valdemar Pagnoncelli, Roberto Boniatti, Deise Simas e Osvaldo Pionner. Definidos os lotes 07, 08 17 e 18 do Loteamento Altos do Seminário, em março de 1999, foi iniciada a obra da Casa do Padre. Os recursos vieram de doações dos padres, das paróquias e de um terreno doado pelo P. Antenor Vidor à Sociedade São João Vianney. A inauguração foi em agosto de 2001.

 

 

 

FORMAÇÃO PERMANENTE DOS PRESBÍTEROS

 

           

Com a realização do Concílio Vaticano II de 1962-1965, deu-se uma reforma na Igreja. Ao findar O Papa Paulo VI perguntou: “Findo o Concílio, volta tudo ao que era antes? As aparências e os hábitos responderão sim; o espírito do Concilio responderá não. Alguma coisa, e não pequena deverá ser para nós nova. Para sentirmos e vivermos esse “novo sopro do Espírito Santo” em nossa vida e em nosso ministério, A CNBB Regional Sul 3 organizou Semanas de Atualização, para todos os presbíteros. Foram encontros sucessivos de estudo, em diversos locais, que os presbíteros deveriam participar. Foram momentos importantes de estudo e tomada de conhecimento, mais organizado, dos Documentos do Concílio Vat. II.

           

Antes disso, havia encontros de padres para estudo de “Casos de Moral”. A coordenação da diocese  elaborava “Casos de Moral”, um padre era designado para estudar caso e apresentar as razões e a solução. A formação permanente dos presbíteros se dava por esses encontros e o retiro anual.

           

Depois, em reuniões do Conselho Diocesano de Presbíteros foi decidido que a formação se daria, a partir do que temos e podemos realizar:  Cursos Anuais dos Presbíteros, Reuniões por Faixas Etárias, Retiro dos Presbíteros e Cursos de Especialização.

           

Foram feitos cursos em que se abordou a História de nossa Região; História da Igreja;  A Igreja no Brasil, a partir de 1952; Atualização Teológica; Visão da Realidade e Agir Pastoral;  Ecumenismo; Puebla; Psicologia; Conjuntura e Visão da Realidade; Bíblia; Apocalipse; Ética; Bioética; Modelo de Igreja na recessividade; Religião no III Milênio; Religião na Pós Modernidade...

 

A Associação Cultural e Assistencial São João Vianney, através do Departamento Cultural e a Pastoral Presbiteral programa os cursos anuais, orienta para possíveis cursos em diversos Centros de Formação e encaminha os interessados para possíveis cursos de especialização.

 

Além disso, foi escolhida uma equipe para receber, avaliar e encaminhar os pedidos e projetos dos presbíteros, para cursos mais breves e de especialização.

 

Foram encaminhados curso nos assuntos de interesse, lembramos os seguintes:

1979 – As Conclusões de Puebla – assessoria Dom Jaime Chemelo;

1982 – História da Igreja – com o P. Oscar Beozo;

1984 – Visão da Realidade e Agir Pastoral –  com o P. João B. Libânio S.J.;

1985 – Nossa História – com o P.F.Zagonel;

1989 – Psicologia – assessoria da UCS;

1991 – Psicologia – com o P. Edenio Vale;

1992 – Diretrzes Gerais da Ação Evangelizadora  da Igreja do Brasil – com P.Benedetti;

1993 – As Conclusões de S. Domingos – assessoria Dom Antônio do Carmo;

1994 – Teologia Moral – com o P.F. Nilo Agostini (dois períodos em junho e setembro);

            O Povo de Deus na História – com P.F. Isidoro Mazzaarollo

1995 – Ecumenismo e Movimentos Religiosos – com o P. José Bison;

1996 – Rumo ao Novo Milênio – com o P. Edson Domian;

1998 – Esperança Cristã – com o Dr. Renold Blank;

1999 – A Igreja no Brasil a partir de 1952 – com o P. Antônioo Alves de Melo;

            Conversão e Reconciliação (Moral) – com o P.F. Antônio Moser;

2000 – Eclesiologia do Vat. II – com o P. Vitor Feller;

2001 – O Presbítero e as Grandes Transformações...– com o P. Inácio Neutzling;

            O Fenômeno Religioso Hoje –  com o P. Erioco Hammens e Carllos Stil;

2002 – Bioética – com o P. Roque Junges S.J.;

2003 – Psicologia – com o P. Deolindo Baldissera;

            Religião no III. Milênio – com o P. João B. Libâanio S.J.;

2004 – Comunicação & Dominação e Consciência Crítica – com o P. Pedrinho Guareschi;

2005 – Globalização – com Alessandro Pinzoni;

            Presbítero – Convívio e alteridade – com o P.F. Luiz Carlos Suzin;

2006 – Antropologia (duas etapas) – com Jadir Morais Pessoa e Prof. Carolina;

2007 – A presença de Deus em Jesus de Nazaré – com Francisco Ouro Fino;

            Paulo Apóstolo – com o P. Décio Valker;

            Apocalipse – com Hildo B.Gass e Ir. Lúcia Weiler;

2008    O tema da campanha da fraternidade, com Ivo Poletto;

2009 – Ecologia – Com Maria José Guazelli;

2010 – Religião na Pós-Modernidade – com Paulo A. de Araujo.

 

            Temos para completar essa resenha das atividades da Diocese:

  • A animação pastoral da diocese e na diocese;
  • A dimensão missionária, surgimento da ideia e acompanhamento;
  • ... outros temas que julgarem oportunos