ASEMBLÉIA
DO POVO DE DEUS APROVA DOCUMENTO PARA AÇÃO
PASTORAL DA ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE
Espiritualidade
1. Que a Arquidiocese organize
um núcleo articulador de formação teológica,
bíblica e catequética, que divulgue as experiências
de formação já existentes e estimule
a implementação de iniciativas em nível
regional, forâneo e paroquial, vindo a oferecer-lhes
uma assessoria permanente.
Orientações:
Que esse núcleo ofereça formação
humana, social e teológica para lideranças,
conselheiros e clero; estimule uma formação
experiencial, realizada na ação e na reflexão,
com espírito orante e fraterno; ofereça cursos
bíblicos em módulos (simples, médio avançado);
elabore materiais pastorais didáticos e acessíveis
a todos.
2.
Que a Arquidiocese organize, través das Regiões
Episcopais, Centros de Espiritualidade, os quais, nas foranias,
paróquias e comunidades, incentivem, através
de retiros e encontros vários, oportunidades de encontro
pessoal e comunitário com Deus; iniciem as pessoas
na leitura orante da Bíblia e conduzam a uma espiritualidade
de comunhão e acolhida, que desperte para a solidariedade
fraterna.
Orientações:
Que desses centros parta o estímulo para que as paróquias
e comunidades organizem grupos de reflexão e oração,
façam bom uso do “ofício divino das comunidades”
e promovam semanas de espiritualidade, tendo sempre em vista
o dinamismo da comunhão e da acolhida interpessoal
e grupal.
3. Que a Arquidiocese estruture um núcleo
de formação litúrgica, que ofereça
orientações gerais e específicas para
que as foranias, paróquias e comunidades sejam animadas
por uma liturgia mais criativa, inculturada e acolhedora,
especialmente nas celebrações eucarísticas
dominicais.
Orientações:
Que esse núcleo possa oferecer capacitação
para as equipes de liturgia das paróquias e comunidades
e para ministros da eucaristia e da palavra; oferecer oficinas
e atividades educativas abertas a todos os leigos que ajudem
a celebrar e a festejar a vida na liturgia e a um melhor entendimento
das partes da celebração eucarística
e de outras celebrações.
Orientações:
Que os padres sejam os principais a incentivar a formação
primeira e continuada dos leigos; que as iniciativas de formação
se destinem conjuntamente a padres e leigos; que as iniciativas
de formação se destinem conjuntamente a padres
e leigos.
Vida
comunitária
1. A Arquidiocese de Belo
Horizonte opta por ser Igreja de comunidades. Por isso assume
o compromisso de investir na criação e fortalecimento
de comunidades.
Orientações:
1) As comunidades, formadas pela proximidade
geográfica ou existencial, sejam centros de acolhida,
partilha e participação, onde cada pessoa é
valorizada, cada grupo é reconhecido e, ao mesmo tempo,
todos sejam co-responsáveis no caminho por ela percorrido.
Os jovens, crianças e pessoas excluídas por
qualquer razão merecem especial atenção
e esmerada acolhida.
2) Os grupos comunitários de pastorais,
associações ou movimentos sejam espaços
de realização vocacional e missionária
das pessoas, onde prevalecem o respeito, a aceitação
mútua, principalmente do diferente, o cultivo das relações
fraternas e solidárias.
3) Cada comunidade seja uma fonte alimentadora
da vida cristã. Por meio da Palavra, da liturgia, da
espiritualidade, do profetismo, do serviço aos irmãos,
especialmente aos mais pobres.
4) As comunidades sejam enriquecidas pela
atuação das muitas e variadas lideranças,
por meio de intercâmbios e rodízios de pessoas
em todos os níveis de coordenação, firmando
o princípio de que a comunidade não tem dono,
mas é uma comunhão de discípulos do Senhor.
5) É de fundamental importância
que as comunidades façam o planejamento de sua caminhada,
em sintonia com a Arquidiocese, num processo participativo
de avaliação, aprofundamento e programação
de sua vida.
2. A Arquidiocese de Belo
Horizonte opta por ser Igreja de comunhão entre as
comunidades. Por isso, assume o compromisso de investir na
criação e fortalecimento de redes de comunidades.
Orientações:
1) A rede eclesial seja concretizada pela
aproximação e entrelaçamento fraterno
e solidário entre as comunidades, revelando a unidade
da Igreja, feita construída na beleza da diversidade.
O Espírito Santo é o princípio tanto
da unidade como da diversidade.
2) A rede de comunidades será facilitada
ou mesmo só será possível se for tecida
uma rede de comunicação e de informação
em todos os níveis (do comunitário ao arquidiocesano)
e entre os agentes de evangelização. Para isso,
é necessário investir na dimensão comunicativa
da evangelização e em todos os possíveis
instrumentos e meios de comunicação.
3) Os laços da rede comunitária
podem se reforçados pelo favorecimento e aperfeiçoamento
dos contatos pessoais e grupais, do atendimento nas secretarias,
das visitas às casas, dos círculos bíblicos
e grupos de reflexão e de outras formas de vida em
comum.
4) Os cursos e encontros sobre vários
temas em diversos níveis, bem planejados e dosados,
serão bons instrumentos de fortalecimento da rede de
comunidades.
3.
A Arquidiocese de Belo Horizonte, para ser Igreja de comunidades,
tecidas em rede, revitalizará os Conselhos Pastorais
– em nível comunitário, paroquial, forâneo,
regional, e arquidiocesano – e os elege como principais
organismos de animação e articulação
pastoral.
Orientações:
1) O bom funcionamento e o entrosamento dos
Conselhos Pastorais entre si é o principal elemento
para a articulação da ação evangelizadora,
dos grupos e das iniciativas pastorais.
2) A forania é o espaço privilegiado
de comunhão, articulação e formação
da vida comunitária na Arquidiocese.
3) Os membros dos Conselhos Pastorais precisam
de formação prioritária, especial e permanente,
para que tenham clareza do que é o Conselho e da melhor
maneira de ser conselheiro.
4.
Para favorecer a articulação dos diversos grupos,
pastorais, movimentos etc., a Arquidiocese propõe que
os Conselhos Pastorais, nos diversos níveis, exerçam,
em conjunto, a função de articulador.
5.
Que a Arquidiocese comece o processo de reflexão para
a instituição do Diaconato permanente (possibilidade
de diáconos casados), com a responsabilidade primeira
do cuidado aos pequenos e do serviço da caridade.
Orientações:
1) A formação precisa ser frutuosa,
inculturada e atenta às novas exigências das
comunidades e ao novo perfil de seus membros:
a. Padres (ministros ordenados)
de presença viva, que se sintam membros da comunidade,
capazes de dialogar e conviver, com espírito comunitário,
sejam amigos e assumam bem o trabalho de animação
e coordenação;
b. Leigos com espírito
comunitário, acolhedores, de presença qualificada,
capazes de dar razão do que crêem, com uma formação
experiencial, orante, com função comunitária,
realizada na ação e no aprofundamento da reflexão.
2) Que a formação cubra as
diversas áreas necessárias à vida cristã:
bíblico-catequética, humano-social e espiritual
teológica.
Questões
sociais
1. Para dinamizar sua ação
social e política, a Arquidiocese se propõe
a seguir os seguintes critérios:
a) Intensificar o serviço aos pobres,
atendendo às necessidades mais urgentes e superando
as ações e posturas paternalistas e assistencialistas.
b) Exigir e apoiar políticas públicas
que visem à erradicação da miséria
e da fome.
c) Aprofundar o conhecimento das causas da
pobreza, buscando a transformação das estruturas
injustas da sociedade.
d) Buscar uma atitude mais profética,
denunciando abertamente as injustiças sociais, a exclusão
social e a marginalização.
Orientações:
Temos consciência de que esse compromisso vem crescendo
entre nós e ainda poderá crescer mais, através
das seguintes ações, entre outras, a serem assumidas
pela Igreja de Belo Horizonte:
a) Articular melhor as obras e práticas
sociais existentes em todos os níveis, implantando
um banco de dados das organizações, ações
e necessidades.
b) Organizar em todas as paróquias
e comunidades a Ação Social (como SEPAS ou algo
semelhante), estimulando o criação de grupos
de Fé e Política, Acompanhamento do Legislativo,
Combate à Corrupção, Pastorais Sociais
e CEB’s em todas as regiões.
c) Aprofundar o conhecimento da realidade
social na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com
a colaboração de instituições
de pesquisa, especialmente da PUC Minas.
d) Promover a cooperação e
parceria com instituições públicas e
privadas da sociedade civil (ONGs, Sindicatos, outras Confissões
Religiosas etc).
e) Promover a formação social
e política dos seminaristas, padres e leigos, em particular
dos agentes das pastorais sociais.
f) Criar espaços (fóruns, seminários,
semanas sociais etc) para discussão e articulação
sociopolítica de ações e iniciativas
sociais e ecumênicas.
g) Participar dos Conselhos Municipais, Comunitários
e Comissões Locais que orientem e fiscalizem as políticas
sociais públicas.
h) Garantir, com apoio financeiro, o funcionamento
continuado das ações sociais e políticas.
i) Dar especial atenção ao
mundo do trabalho, articulando iniciativas de formação
profissional e de geração de renda.
j) Promover melhor utilização
dos meios de comunicação social da Arquidiocese
em função da divulgação e apoio
às ações político-sociais da Igreja.
k) Esses critérios e orientações
assumidos pela Assembléia sejam divulgados em forma
de Cartilha, em linguagem popular.
2.
Para aprofundar cada vez mais o sentido do compromisso social
e político para o cristão e implementar com
mais eficiência as ações assumidas acima
e outras que poderão surgir das necessidades da fé
e da realidade, propomos que se crie uma Comissão Arquidiocesana,
articulada nos níveis regional, forâneo e paroquial.
Texto extraído do Jornal de Opinião, Visão
Cristã da Atualidade, 10 a 16 de novembro de 2003,
nº 754, Ano 14.
arquivo:
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