A rotina na Paróquia Santo Antônio mudou completamente com a chegada da pandemia em março do ano passado. O contato caloroso com os fiéis precisou ser deixado de lado para garantir a saúde de todos. Na residência dos padres, os cuidados com o carismático padre Júlio precisaram ser redobrados. Responsável pela criação da Pastoral da Saúde – que prepara xaropes e chás naturais para pessoas mais carentes – seu Júlio precisou se afastar daquilo que vinha lhe trazendo tantas alegrias. “Foi difícil para ele até entender que seria preciso ficar em casa. O Júlio sempre foi muito dinâmico, gostava de estar com o pessoal da Pastoral da Saúde”, conta o padre Ricardo Fontana.  


Mas a primeira dose da vacinação contra a COVID-19 trouxe um pouco de alívio ao padre Júlio, aos colegas vigários e a todos que prezam pela sua saúde. “O padre Ricardo me empurrou”, brinca seu Júlio em relação ao momento da vacinação, ocorrido no domingo, 14/02, na Fundaparque. “Eu já tô vacinado e agora só posso morrer de vacina”, relata bem-humorado. 

 


Foto: Paróquia Santo Antônio
 

Padre Júlio ficou conhecido não apenas pelas palavras de conforto e pela bondade com todos, como também pela dedicação à saúde alternativa. “Eu comecei a trabalhar com a Pastoral da Saúde, com remédios naturais e plantas nativas, em 1982, porque a diocese precisava de alguém que ajudasse o povo a encontrar auxílio para sua saúde. Fui fazendo cursos nas paróquias e recebendo cursos no Rio de Janeiro e São Paulo, sobre plantas medicinais”, relata o padre. Com muito estudo e amor, seu Júlio conseguiu desenvolver receitas especiais para auxiliar na cura de algumas enfermidades, as quais são mantidas até os dias atuais. Localizada nos fundos da igreja Santo Antônio, a Pastoral conta com as colaboradoras Vânia Marin e Vera Dal Pubel, as quais deram continuidade à produção de xaropes, chás, pomadas e outras fórmulas que foram aprimoradas ao longo dos anos. “O padre Júlio é nosso mentor, sem ele não estaríamos aqui”, declara Vânia.

 


Foto: Eduarda Bucco
 

Prestes a completar 65 anos de sacerdócio e 89 anos de idade – no dia 29/03 – padre Júlio relembra de sua jornada junto à igreja com amor e nostalgia. Nascido na linha Leopoldina, seu Júlio auxiliou na agricultura e demais afazeres da casa desde criança. Aos cinco anos, fez a primeira comunhão na igreja Santo Antônio, tendo o vigário Dom Antônio Zattera como seu padrinho. Ao decidir seguir a vida sacerdotal, o padre dedicou 15 anos de sua vida aos estudos – oito anos nos seminários de Caxias do Sul e São Leopoldo e quatro anos em Roma, na Itália, onde se tornou padre em 1956. “Pensava de ficar papa, mas não deu”, brinca. 

 

Por muitos anos, o padre Júlio atuou em diferentes paróquias da região, em Antônio Prado, São Francisco de Paula, Caxias do Sul e Garibaldi. Também participou de encontros missionários por todo o Brasil, levando palavras de fé e amor a muitos brasileiros. “Na Paróquia Santo Antônio fui nomeado ajudante em 1995 e de lá fui ficando. Agora tô me recuperando na saúde, então devo agradecer demais a acolhida, as boas maneiras e a beleza de ser um colega aqui na paróquia”, agradece. “A vida de um padre se destina em ajudar o povo, então nessa direção eu ajudei bastante nas paróquias, nos cursos, na diocese toda”, analisa. “Espero que todas as coisas boas continuem, tem muita gente praticando [a medicina alternativa], temos a Pastoral da Saúde com duas pessoas especializadas e graças a Deus muita gente se recuperou. Verdadeiros milagres aconteceram... tomara que não sejam os últimos”, finaliza. 

 

Fonte: Jornal Serranossa