Com reflexão sobre a Campanha da Fraternidade, Via-Sacra da Juventude reúne 1,5 mil pessoas, em Caxias do Sul
O momento de oração, que chegou à 22ª edição, aconteceu nos Pavilhões da Festa da Uva e emocionou as pessoas que acompanharam a encenação; durante as estações, também foram apresentados temas como a violência contra as mulheres
A Sexta-Feira Santa é um dia de oração e silêncio para os católicos. Uma das principais tradições na manhã deste dia em que se recorda a Paixão de Cristo é a oração da Via-Sacra. Na Diocese de Caxias do Sul, há 22 anos a memória do caminho percorrido por Jesus desde a sua condenação até a morte na cruz é realizada através de uma encenação feita pelos jovens.
Neste ano, mais de 1,5 mil fiéis se reuniram nos Pavilhões da Festa da Uva, na manhã deste dia 03 de abril, onde ocorreu a Via-Sacra junto ao Monumento Jesus Terceiro Milênio, para acompanhar a encenação. A atuação dos mais de 40 jovens dos diversos grupos, movimentos e pastorais emocionou as pessoas que estavam assistindo.
O bispo diocesano de Caxias do Sul, Dom José Gislon, fez a abertura da encenação destacando que a passagem da morte de Jesus nos fala sobre a vida: “Nós nos reunimos aqui também para celebrar nossa fé. Nós acreditamos num Cristo que padeceu, morreu, mas não ficou morto. Ele ressuscitou. É uma alegria ver muitos pais com os pequeninos nos braços. Essa é a escola da fé". E também recordou dos jovens: “Obrigado ao Setor Juventude por nos ajudar a rezar. Também rezamos pelos jovens que não creem no Cristo, por aqueles que estão privados de liberdade e pelos que mais precisam".
A encenação teve como cena inicial a releitura do cartaz da Campanha da Fraternidade 2026, que traz o tema "Fraternidade e Moradia" e o lema: "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14). Um homem em situação de rua que pedia ajuda deitou num banco ali colocado e foi alvo do julgamento de tantas pessoas. O intérprete de Jesus chegou, acolheu e abraçou o homem. Enquanto isso, eram narrados números que refletem a realidade da habitação para muitas famílias no Brasil. No país, 328 mil pessoas vivem em situação de rua.
A partir destes elementos, a encenação buscou propor a reflexão de que é preciso ouvir e acolher a Palavra de Deus para dar bons frutos, em ações que preservem e tratem com dignidade todas as formas de vida. Após, apresentação seguiu percorrendo as 14 estações da Via-Sacra, que inicia na condenação de Jesus até a sua morte na cruz e sepultamento. Durante o caminho também foram apresentados temas como a violência contra as mulheres.
Após crucificação e morte, o corpo de Jesus foi colocado sobre o mesmo banco ocupado pelo homem em situação de rua no início da encenação. "São tantos 'cristos' que padecem nos bancos das nossas praças, tantos jovens que perderam seus sonhos por falta de oportunidades, mas outras milhares de 'verônicas', 'cireneus' e pessoas que querem restituir a dignidade dos nossos irmãos que mais precisam", salienta o assessor do Setor Juventude da Diocese, padre Gustavo Predebon, coordenador da encenação.
Fé e dedicação
A Via-Sacra ganhou vida com o auxílio de mais de 40 pessoas que se reuniram desde o início de março para preparar o momento de oração. Todos voluntários, atores e equipe de organização se dedicaram por semanas para preparar todos os detalhes. O grupo é constituído pela união de jovens de diversos grupos, movimentos, pastorais e serviços da Diocese de Caxias do Sul. Neste ano diversos padres estiveram à disposição para as confissões e os fiéis formaram filas para receber o Sacramento da Reconciliação;
Neste ano, a Via-Sacra também contou com o apoio da Secretaria Municipal do Turismo e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Caxias do Sul, do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE) e da empresa Festa da Uva S/A.


