Jesus ressuscitou – Aleluia!
"Na caminhada de filhos e filhas para a casa do Pai, podemos ter sempre aquela esperança de que o sono da morte não conhece a eternidade, porque a eternidade Deus reservou para a vida, através da ressurreição, da qual Jesus nos dá testemunho"
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Pela graça de Deus, estamos celebrando a Páscoa do Senhor Jesus. Como cristãos, povo de Deus a caminho da casa do Pai, não queremos apenas recordar o mistério da Páscoa, mas queremos torná-lo presente e testemunhá-lo, com palavras e com a nossa vida de fé, na esperança que se cumpra a promessa de sermos conformes ao Senhor ressuscitado, quando também nós ressuscitaremos.
Na Páscoa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo celebramos a vitória da vida sobre a morte. Tendo presente que a dor, a violência, a indiferença, o ódio e a omissão, que tiraram a vida do Cordeiro de Deus, continuam presentes na humanidade, também na realidade de hoje, ferindo-a através das guerras e das muitas formas de pobreza, presentes também na nossa realidade social.
Penso que muitos gostariam que a missão do Senhor Jesus tivesse tido seu grande final com a Sexta-Feira Santa da Paixão, quando o “Verbo que se fez carne e veio morar entre nós” silenciou no lenho da cruz. E, com sua morte, a indiferença, o silêncio da justiça e a violência das guerras pudessem reinar soberanas sobre a face da terra. Assim, seria possível silenciar o bem, o amor e a esperança daqueles que buscam dignidade de vida, estendendo a mão à beira do caminho, ou têm o coração ferido pela perda, de forma brutal e absurda, de alguém que amavam, que era presente de Deus, presença de vida, mas a violência da guerra impôs de forma antecipada o sono da morte.
No silêncio do sábado santo fomos convidados a entrar no repouso de Deus (Hb 4,9), no seu silêncio, no vazio de Deus, onde cada coisa toma vida, até mesmo a morte. A ressurreição, a esperança de uma vida nova e do renovar-se continuamente na vida, parece depender da nossa capacidade de aceitar, depois dos momentos mais difíceis da nossa existência, que uma “pedra” (Jo 11,41; 20,1) nos separe de tudo e de todos, na espera do grande acordar, que é a ressurreição do Senhor Jesus, como insurreição da vida, dom de Deus, contra todo atentado de morte.
Na caminhada de filhos e filhas para a casa do Pai, podemos ter sempre aquela esperança de que o sono da morte não conhece a eternidade, porque a eternidade Deus reservou para a vida, através da ressurreição, da qual o Senhor Jesus nos dá testemunho, pois Ele está vivo e é luz a iluminar a nossa vida.
Que o Cristo Ressuscitado, luz do mundo ilumine os vossos passos.
+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul


